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22/08/2013

Agricultor em Curaçá transforma as dificuldades vivenciadas no período de estiagem em oportunidades

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Por Comunicação Irpaa

Há dois anos o agricultor e criador de caprinos e ovinos, Estefan Cardoso, vêm investindo na produção de queijo coalho, feito a partir do leite de cabra. Seu despertar para o beneficiamento do leite veio de uma forma inusitada, depois de observar que nos períodos de estiagem a procura pelo queijo aumentava e a oferta era pouca na sua comunidade, Retiro, no município de Curaçá. “Diante da minha necessidade e do povo eu fui produzir”, explica Estefan.

Com um rebanho de aproximadamente trinta animais, Estefan e sua família produzem cerca de 40 queijos por semana, que são comercializados nas comunidades de Retiro, Pilar, Curaçá, Barro vermelho e Uauá. A propaganda do produto é feita de boca a boca pelos seus familiares, aumentando o mercado para escoar a produção dos queijos. Com a boa aceitação, o agricultor está disposto a descobrir novos mercados e explorar essa nova prática.

Consciente das potencialidades que o Semiárido oferece, Estefan afirma que “a natureza tem muita coisa para nos oferecer, só falta descobrir e saber explorar, não é de qualquer forma que a gente pode explorar. A gente não pode explorar agredindo a natureza”. É baseado nesse pensamento que o agricultor fala da importância de evitar a criação de cabras e ovelhas em grandes quantidades. Segundo ele é necessário ter um planejamento, considerando o tamanho da terra e a quantidade de alimentos disponível para o rebanho.

Quando fala sobre esse planejamento, o agricultor faz referência à necessidade de vender alguns animais, principalmente antes dos períodos de seca, pois “no período de estiagem perde muito (animais), pela falta de controle”. Outro cuidado que Estefan demonstra ter com seu rebanho é relacionado com o estado nutricional das criações. A alimentação dos animais é derivada da sua plantação de palma e da área de sequeiro existente na sua propriedade. A dieta das cabras é feita pela junção do farelo da palma, adquirido após ser triturada na forrageira, com complemento balanceado.

Estefan está aumentando sua plantação de palma e também pretende aumentar as criações, para expandir a produção e comercialização de queijo. Além disso, deseja construir um aprisco para dar conforto aos animais e investir em raças  selecionas, que se adaptem às caraterísticas da região. Toda essa preocupação, segundo o produtor, é voltada para o crescimento de sua produção e oferecer um queijo de qualidade aos seus clientes. Ele diz que existem outras formas de utilizar as riquezas existentes na região, porém as pessoas não sabem aproveitar, seja por não ter acesso ao conhecimento ou pela falta de coragem, opina o agricultor, que também ressalta a importância de um acompanhamento técnico, no desenvolvimento das práticas de Convivência com o Semiárido. Muitos desses métodos, Estefan diz ter conhecido e aprendido após sua participação em cursos oferecidos pelo Irpaa.

Outro sonho

A comercialização de queijo coalho está crescendo a cada dia, complementando a renda mensal da família, que pretende expandir essa produção, mas ele não quer parar por aí, seu desafio é produzir ração à base do farelo da palma para comercializar. Segundo Estefan, uma das dificuldades encontradas pelos agricultores é o acesso à ração dos animais, pois elas são caras. Na opinião do agricultor, no Semiárido tem terras férteis para plantar palmas e com pouca água é possível fazer a ração, além do feno e silo.

A partir de suas experiências positivas de Convivência com o Semiárido, Estefan deseja que outros/as agricultores/as sigam seu exemplo e busquem atividades sustentáveis para conviver com o clima. “Eu quero ser o diferente, fazer a diferença para o melhor, não para o pior ” comentou.