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Relatores: Márcio Moura, Edileide Araújo, Iran Lima
Realização: Apoio: Esta campanha é co-financiada pela:

Seminário “Água boa é um direito de todos”
P R O G R A M A Ç Ã O
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Horário
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Atividades
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Responsáveis
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27/03 (quinta-feira)
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7:30-8:30
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Credenciamento e café da manhã
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8:30-9:00
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Mística e abertura do evento com a apresentação da Campanha “Água boa é um direito de todos”
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Paulo Pedro (CAATINGA)
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9:00-12:00
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Oficinas temáticas:
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- Água para o consumo humano
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Taysa Andrade (CAATINGA)
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Giovanne Xenofonte e Márcio Moura (CAATINGA)
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- Água e Meio Ambiente: Desertificação e Mudanças Climáticas
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Paulo Pedro (CAATINGA)
Ana Rúbia Torres (Promotora de Justiça – MPPE)
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- Água e Políticas Publicas para a Convivência com o Semi-Árido
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Roberto Malvezzi (ASA-Brasil)
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12:00-14:00
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Almoço e intervalo
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14:00- 17:00
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Apresentação dos grupos e Debate
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28/03 (sexta-feira)
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8:00-8:30
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Mística de abertura - apresentação peça teatral (grupo de crianças do Povoado do Videu)
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8:30-10:30
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Mesa: “Democratização e Gestão da Água no Contexto da Convivência com o Semi-Árido Brasileiro”
Coordenação: Valéria Landim (CHAPAPA)
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Palestrantes:
Ana Rúbia Torres (Promotora de Justiça – MPPE)
Paulo Pedro (CAATINGA)
Roberto Malvezzi (Asa-Brasil)
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10:30-12:00
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Debate
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12:00-13:00
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Encerramento e almoço
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Campanha “Água boa é um direito de todos”
Mística de Abertura – 27/03/2008
Roberto Malvezzi (Gogó) representante da ASA (Articulação do Semi-Árido) cantou a música Água de Chuva, e houve a apresentação de uma peça sobre o desequilíbrio ambiental, coordenada por Francisco, falando da água , do mundo que vivemos, dos latifundiários, da desertificação, onde os atores foram os alunos da ERO (.Escola Rural de Ouricuri) e da Escola Dom Idílio
Abertura do evento
A abertura do evento foi realizada por Paulo Pedro, coordenador do Programa de Políticas do CAATINGA, que falou da importância do seminário “Água é Um Direito de Todos” onde foram mobilizados agricultores e agricultoras familiares, professores e estudantes, representações dos sindicatos rurais, agencias bancárias (Banco do Nordeste e Banco do Brasil), cooperativas, agentes de saúde, Apa’s (Agentes Promotores da Agroecologia), Secretários de Agricultura, técnicos e técnicas em agropecuária, comissões municipais do P1MC e autoridades como representação dos municípios da Região do Araripe. Um dos objetivos foi se discutir e construir propostas sobre o acesso e a democratização da água para a população do semi-árido brasileiro. Na sequencia para a composição da mesa, Paulo Pedro convidou Roberto Malvezzi (ASA Brasil), Reginaldo Alves (Coordenador do CAATINGA), e Drª Ana Rúbia (Promotora de Defesa da Cidadania). Segundo Roberto Malvezzi: “ Nós temos um enorme prazer de participar neste evento, a convite do CAATINGA, é que de suma importância a sociedade civil organizada discutir sobre a temática água, pois há muitas famílias que não tem água de qualidade para o consumo diário, e que a ASA (Articulação do Semi-Árido) vem construindo dinâmicas junto com as famílias agricultoras que são referencias para a construção de políticas públicas.” A Dr. Ana Rúbia agradeceu o convite e a oportunidade de trabalhar com a sociedade civil as propostas para se ter água de qualidade para a população rural e também se discutir a importância da preservação da mesma. Luciano da comissão municipal de Santa Cruz comentou: “é uma alegria participar deste evento, e principalmente por estar aqui representando o ministério publico a pessoa da Drª Ana Rubia, pois este é um ano eleitoral, onde muito políticos querem aproveitar das necessidades das pessoas para colher votos através da necessidade da água para as famílias”. Reginaldo argumentou que: “As comissões municipais do P1MC tem nos ajudado muito na mobilização das famílias. Diz que a campanha “água boa é um direito de todos” começou ano passado e que pretende adentrar ainda em 2008, fala que seja na área urbana ou rural, um evento como este aconteça foi necessário a participação de muitas pessoas, pois exige toda uma logística, agradeço a todos e todas que estão participando, sejam dos movimentos sociais, dos professores, alunos, secretários, técnicos do IPA, e outras pessoas que se envolveram e que esta participação é fundamental para que os objetivos do seminário se concretizem”.
OFICINAS TEMÁTICAS
Todas as pessoas do evento foram alocadas em 4 grupos, onde foram apresentadas alternativas através dos palestrantes sobre o tema ÁGUA (para o consumo humano, para a produção, meio ambiente e desertificação, e políticas públicas para o Semi-Árido). Os mesmos grupos formularam propostas para serem apresentados e debatidos na plenária.
- água para o consumo Humano ( Taysa Andrade – CAATINGA);
- água para a Produção ( Giovanne Xenofante/Márcio Moura) ( CAATINGA);
- Água e Meio Ambiente: Desertificação e mudanças climáticas ( Paulo Pedro CAATINGA) , Ana Rubia ( Promotora de Justiça-MPPE);
- Água e Políticas Publicas para a Convivência com o Semi-Árido. ( Roberto Malvezzi ( ASA- Brasil)
1 - Água para o consumo humano -
Facilitadoras: Taysa Soares e Marneuza
Propostas:
- Garantir que toda água destinada ao consumo humano seja tratada dentro dos parâmetros da potabilidade colocado na Portaria do Ministério da Saúde;
- Que todas as obras hídricas com recursos Públicos e Particular seja aberto a sociedade;
- Cada família deve ter direito a 2 cisternas para atender o seu consumo.
- Intensificar campanhas, como esta, com apoio do Ministério Publico para que a sociedade passe a ter conhecimento de que a água para consumo humano é um direito e não um favor ( fazer em mais municípios);
- Educação da sociedade para tratar a água e saber gerencia-la;
- As cidades ter que ter lagoas de decantação para evitar poluição dos mananciais;
- Criar em todas as municípios Fóruns de Orçamentos Participativos para que a sociedade possa cobrar os investimentos dos recursos públicos.
Grupo 2 – Água para a produção
- Ampliar o nº de famílias com estruturas hídricas para a captação de água de chuva para a produção de alimentos para às famílias e para os animais;
- Levar mais técnicas de convivência com o semi-árido e aumentar o n° de famílias participando dos espaços de formação;
- Que os governos estaduais, municipais e federais desenvolvam trabalhos como a ASA (Articulação do Semi-Árido) vem implementando nos diversos estados, de forma que as famílias agricultoras sejam parte da construção do processo e são realizadas ações de acordo com a necessidade de cada comunidade ou região;
- Que as famílias que residem as margens de açudes ou barragens (Lopes 2/Algodões/Tamboriu) possam conhecer técnicas para expandir a produção agrícola e que sejam inseridas novas cadeias como a piscicultura;
Grupo 3 – Água, Meio Ambiente e Desertificação
- Comprometer os industriais do gesso com ações ambientais;
- Divulgação do 0800618080 do Ibama;
- Implementar o saneamento ambiental em todos os municípios;
- Envolver o setor privado nos debates sobre o meio ambiente;
- Recuperar áreas degradadas e preservar as ainda existentes;
- Educação ambiental de forma interdisciplinar em todas as escolas;
- Formar multiplicadores sobre o meio ambiente;
- Convocar fazendeiros para debates sobre meio ambiente;
- Aprofundar os conhecimentos sobre crédito de carbono;
- Fortalecer as organizações: associações, consórcios, centrais;
- Realizar eventos com diversos atores e autoridades locais;
- Água tratada para todos;
- Interiorização dos órgãos ambientais;
- O cuidado com o meio ambiente é urgente;
- Realizar eventos e manifestações regionais;
- Tratar esgotos das cidades, vilas e povoados;
- Melhorar a atuação dos órgãos meio ambiente em educação: Ibama, Secretarias;
- Estender ações ao nível dos municípios;
- Criar uma ong com disk denuncia;
- Eliminar o uso de agrotóxicos;
4 - Água e Políticas Publicas para a Convivência com o Semi-Árido
- Organização
- Potencial do povo
- Conjunto de coisas- terra, água para beber e cozinhar, água para a produçao e para os animais, e uma boa gestão.
- Valores éticos
- Diversidade
- Preservação da caatinga
- Auto estima
- Empoderamento das pessoas
- Educação Contextualizada
Debates, análises e reflexões
Sempre houve uma visão histórica do semi-árido de que é um lugar pobre, feio, e que tem sempre um povo sem potencial, sem perspectiva e isso foi construído desde a chegada dos portugueses, esse é um conceito imaginário, e feito a divulgação também em pinturas, poemas, houve uma ampla divulgação crítica e dura da nossa realidade, depois veio a mídia jornalística que sempre coloca famílias miseráveis e carcaças de animais explicitando como essa fosse a o espelho do semi-árido brasileiro.
O que a ASA (Articulação do Semi-Árido) vem fazendo é inédito, é uma outra visão do semi-árido e que está avançando rapidamente, pois quando se trabalha a educação como a melhora da qualidade de vida, o envolvimento das famílias consolida.
O bioma CAATINGA é rico, e tem suas características próprias, é preciso estocar água e alimento para as famílias e para os animais, pois não sabemos a quantidade e quando vai chover, e se não tiver uma infra-estrutura adequada para essa captação, às famílias ficam em situação complicada, além de outro fator que é muito forte que é a evaporação.
Políticas Públicas para o Semi-Árido
As políticas públicas são colocadas em prática quando o governo municipal, estadual ou federal aloca recursos e planejamento para a realização das ações. É importante ter uma visão do todo e não só da água, se atentar a elementos fundamentais como a cultura, a vegetação e dinâmicas locais (religiosidade, associativismo, acesso a mercado...). Segundo Roberto Malvezzi: “Os governos municipais reclamam da demanda e solicitações por carro pipa, mas não afzem cisternas para todos os municipios e que tem pessoas que não gerenciam bem a água da sua cisterna e fica refém dos políticos que enchem com água contaminada. A liberdade das famílias é uma conquista, pois é uma coisa que não é dada, o que alimenta a idéia da água como elemento político para a liberdade das famílias”.
Na época de seca os recursos são ministrados pelo poder publico e são mal distribuído para a sociedade, pois as pessoas não têm participação nenhuma na construção do processo e da gestão. Outro espaço importante que deve ser fortalecido e valorizado é o Fórum de Democratização do Orçamento Público. Os membro do Fórum de Democratização do Orçamento Público dos municípios de Ouricuri e Bodocó já encaminharam denuncias, mas as prefeitura se negaram a apresentar documentação dos gastos dos recursos públicos. Segundo a promotora Ana Rúbia: “ No Araripe são apenas quatro promotores de justiça, o que ocasiona é que não tem pessoal suficiente nas comarcas, e que emperra os processos. Apesar do Ministério Público ter aberto concurso, as vagas não foram preenchidas. Então há uma carência de profissionais nessa área de atuação e a população é quem se prejudica”.
No debate ficou evidente que algumas ong’s internacionais como a OXFAM, UE, Visão Mundial já contribuíram bastante com a implementação de tecnologias, principalmente de cisternas de placas de 16.000 litros, e que não é papel delas substituir os poderes municipais, estaduais e federais, e quando se discute política públicas essas esferas tem recursos suficientes para atender as demandas básicas das famílias do semi-árido brasileiro, que vai além da garantia da água.
Atualmente apenas a prefeitura do Município de Pintadas na Bahia garantiu no seu orçamento, recursos para a construção de cisternas de placas para atender a demanda das famílias agricultoras de toda a zona rural. Então as perguntas foram: até quando teremos que ter o apoio de apoios internacionais para fazer se fazer cisterna? Quando essa ação será de fato uma política publica?
Educação Contextualizada
É na ASA (Articulação do Semi-Árido), que vem se tratando da água como um direito e outros temas para se conviver com mais qualidade no nosso semi-árido, assim como gênero, estocagem de sementes e alimentos para as famílias e para os animais, e implantação de tecnologias. O que se tem construído nesse espaço são trocas de conhecimentos e práticas ligadas diretamente ao tema agroecologia, assim como a Educação Contextualizada como elemento fundamental para os homens, mulheres e a juventude que vive nessa região.
A educação ainda é lenta, mas é necessária, pois não tem como defender o que não se conhece, tem que começar da base, se não houver essa conscientização, não tem como se fortalecer contra as injustiças. Esses novos processos educacionais, esse novo conhecimento do semi-árido deveria estar no currículo escolar. Como fazer para que tenhamos tecnologias adequadas para o semi-árido? O P1MC (Programa de Formação e Mobilização Social Para Convivência com o Semi-Árido Brasileiro), é um exemplo de que se pode trabalhar a implantação de tecnologias consorciadas com a Educação Contextualizada, ou seja, entender que na região semi-árida brasileira temos potenciais hídricos, culturais, sociais e econômicos.
Romper a cultura é um processo muito lento e que começa na escola, e o P1MC deu uma lição de autonomia às pessoas e as organizações que construíram o programa. Politicamente as pessoas ainda são encurraladas e os políticos colocam a água em troca de voto.
O poder publico não tem apoiado estas propostas de educação contextualizada como um novo modelo para as famílias agricultoras o que fragiliza de uma ampla compreensão sobre o semi-árido para os agricultores e agricultoras .
A ERO (Escola Rural de Ouricuri) trabalha a educação contextualizada, o que não é simples, mas vem tendo sucesso, é um trabalho desenvolvido de forma interdisciplinar, mas avalia-se que o trabalho feito na escola nem sempre é levado para casa, seria importante o envolvimento de outras pessoas como os APA’s (Agentes Promotores da Agroecologia), Agentes de Saúde, que tem ações diretas com as famílias no campo para fortalecer mais ainda esse processo.
Tecnologias apropriadas para o semi-árido
A tecnologia vem sendo uma porta de entrada para o conhecimento sobre captação de água de chuva, quando a família se envolve e compreende que é estrutura é com recursos/impostos nos quais elas contribuíram, então há um envolvimento e empoderamento das pessoas, o que dinamiza mais ainda o trabalho. Houve uma mudança na paisagem do semi-árido, o que está mais perto de casa na zona rural atualmente, é a cisterna de placas. Mas o processo educativo deve ter continuidade, pois, ainda há pessoas que não fazem bem o manejo, o que pode acarretar em doenças sérias como a diarréia. Por outro lado existem as famílias que captam água, e conseguem passar o ano bebendo água de qualidade, enquanto outras preferem usar para outros fins (banho e lavar pratos) e comprar um carro pipa de água para usar para consumo familiar. Então, o trabalho educativo e de conscientização deve ser constante, e sabemos de que são necessárias outras estruturas de captação de água de chuva como as barragens subterrâneas, barragens sucessivas, cisternas calçadão e temos que lutar para que se tornem políticas públicas.
A pluviometria nos comprove que a água que cai é suficiente, ela está escorrendo por ai, enchendo vários riachos, que daria para encher todas as cisternas que colocássemos no chão. Tecnologias adequadas quem mais precisa são os mais pobres, esta questão de dominação é histórica. Estamos também discutindo modelos de desenvolvimento diferenciado para o semi-árido, o P1MC é o povo que está fazendo, diferente de outros projetos que é discutido. Atualmente as entidades já têm sistematizado os custos e as técnicas de construção das cisternas, barreiros de lona, cacimbões, ao contrario de antes que queria-se acabar com a seca e hoje falamos em conviver com a seca.
Empoderamento das pessoas e fortalecimento das organizações sociais
Outro aspecto importante é a organização das pessoas, de compreenderem e fazerem parte dos processos de mudança, se sentirem agentes dessa mudança. A população deve continuar a fazer abaixo assinados para que o poder público perceba que a sociedade está em alerta. Quando as entidades como as associações, as lideranças, pastorais, ong’s, cooperativas se articulam a mídia dá atenção, os políticos se sentem pressionados, pois são grupos que tem confiança e credibilidade, e de que os trabalhos desenvolvidos vão favorecer as classes menos privilegiadas e que os recursos são aplicados de fato.
A ASA defende propostas sustentáveis quanto às questões sociais, ambientais e econômicas, o que deixa as famílias mais seguras em seus sistemas produtivos. Infelizmente, as pessoas ainda não têm embasamento para cobrar do poder público, o que só vem desestruturar a compreensão sobre o termo “política”, principalmente nos municípios do interior. O trabalho realizado através das pastorais da terra, feito com o auxílio das igrejas é muito importante para a formação das famílias, na discussão os padres e os bispos tem colocado a água como direito humano. Se a água for transformada em mercadoria as pessoas só irão consumir se tiver dinheiro. A igreja pode dar grandes contribuições sobre o direito da água e a mobilização do povo.
Êxodo Rural
Hoje está se ampliando a quantidade de pessoas que estão migrando da Zona rural para estudar e trabalhar na Zona Urbana. Isso tem feito com as pessoas vão desvalorizando a vida no campo e criando uma nova identidade cultural, e ampliação das periferias. Essa saída se dá principalmente pelas famílias que vivem da agricultura de sequeiro, onde a renda demonstra cada vez mais difícil se estabilizar, devido principalmente pela variação da pluviometria, escassez nos momentos em que os roçados mais precisam ou mesmo por não haver ocorrência das chuvas. Então é um desafio para o poder público, as ong’s, órgão de assessoria técnica, igrejas se mobilizarem para construírem com as comunidades espaço de debate para o aprofundamento do tema.
A transposição do Rio São Francisco e Comunicação em massa (mídia televisiva/rádios) sobre o tema água.
A mídia em geral (rádio/televisão...), não tem dado o respaldo que deveria a questão da água, é importante que as pessoas se mobilizem para que essas ações da ASA se tornem políticas publicas, é preciso conhecimento sobre temas como a Transposição do São Francisco. Deve-se discutir à revitalização do Rio São Francisco e o que a ASA esta fazendo. As pessoas podem se informar mais sobre os recursos dos municípios através do Portal da Transparência onde estão expostos os recursos de cada município.
O meio rural do nordeste é muito grande, não compensa se levar água para famílias isoladas no meio do sertão e sim fazer cisternas como alternativas para as famílias. No Jornal Diário do Cariri-CE estão jogando água fora das barragens, pois estão sendo ameaçadas de estourar devido ao excesso de água. Não há falta de obras e sim obras mal estruturadas.
Temos que refletir quem sairá beneficiado com a transposição, qual o lugar onde tem menos água no pais? Pernambuco, portanto, este tipo de projeto não beneficia a agricultura familiar e sim grandes produtores de plantios de cana de açúcar, onde serão explorados monocultivos que escravizam e destroem o meio-ambiente.
Dia 01 de abril será realizado um evento em Juazeiro do Norte, onde serão feitas denuncias e falas sobre as mentiras sobre a transposição do Rio São Francisco, tipo: “quando se fala em atender todo mundo, nada está garantindo tecnicamente, mas nós queremos que atenda todo mundo”. Esse projeto foi criado pelo Ciro Gomes, a mídia diz que a água vai chegar em todos os cantos e nós da ASA dizemos que poderia chegar mais barato. O exercito já começou os trabalhos para a transposição do Rio São Francisco, já esta devastando a CAATINGA, através de uma liminar que ganharam, 25 sessões que os juizes participaram junto com as comunidades, ganharam todas, mas quando chegou ao supremo, as comunidades perderam. É preciso nos organizar enquanto cidadãos e cidadãs para reivindicar nossos direitos.
O ministro do supremo é nomeado pelo o presidente da republica, mas não é porque o Lula colocou lá que não poderá ser contra os projetos dos aliados do governo, o juiz do supremo é independente da republica, ou seja, do presidente da republica, que o nomeou. Temos que entender que transposição é uma transferência de uma bacia para outra e adutora é a distribuição de água dentro da mesma bacia, que é um projeto estruturado pelas as elites e para as elites criar camarão e outras espécies.
Esse debate nos ajuda a qualificar as nossas intervenções, esse ano é político e precisamos cobrar e fazer estes políticos se comprometerem. Esse ano, que trabalha na ASA ficou preocupado, pois percebeu-se que do ano passado para cá, o governo não tinha interesse em financiar a sociedade civil, e passaria os recurso para governos estaduais e municipais, para as políticas eleitorais, mas mesmo assim, através de mobilizações e articulações conseguimos recursos, depois de uma árdua luta grande.
Desenvolvimento sustentável
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, BEM DE USO COMUM DO POVO e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à COLETIVIDADE o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Modelo de crescimento social e econômico que não seja danoso ao meio ambiente, permitindo que os bens ambientais continuem sendo capazes de atender às necessidades de usufruto das gerações futuras.
SEGUNDO DIA- Democratização da água – 28/03
Neste segundo dia a abertura do evento foi realizada com músicas como: “Riacho do Navio, bendita água e lata d´água,” cantadas por Roberto Malvezzi “Gogó” Neste dia houve uma maior participação de estudantes das escolas de Ouricuri. Foi realizada uma peça teatral com os jovens estudantes do Povoado do Videu sobre as experiências agroecológicas na comunidade. Valéria Landim, técnica do CHAPADA coordenou os trabalhos durante a manhã.
Acesso e Democratização da Água – Apresentação - Drª Ana Rúbia
O Brasil é o dono das maiores reservas hídricas de água doce do mundo – com 13,8% da superfície de água doce do planeta.
No entanto, estima-se que 90% da população do semi-árido não tenha acesso à água nem para a segurança biológica, ou seja, não têm nem 2,5 litros de água para beber. Estima-se que 45 milhões de brasileiros não têm esse direito garantido.
ÁGUA: A realidade no Sertão
Contudo, das regiões semi-áridas do globo, o Sertão nordestino é a que tem o maior índice pluviométrico. O que equivale a dizer que não nos falta água, falta a devida gestão deste recurso. Falta-nos o adequado gerenciamento da nossa água, sua armazenagem, distribuição, consumo etc
A democratização e a gestão da água no contexto de convivência com o Semi-Árido NÃO PODEM PRESCINDIR DO NOSSO EFETIVO EXERCÍCIO DE CIDADANIA AMBIENTAL.
Os três “erres” ambientais, quando se trata de recurso hídrico, já viraram cinco: Refletir, reduzir, reutilizar, reciclar e resistir.
A importância do Ministério Público
É instituição autônoma e independente, é o órgão do Estado responsável pela defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos sociais, difusos e individuais indisponíveis. Conhecido como fiscal da lei e defensor da democracia, ele atua para que todos respeitem e cumpram as leis, assegurando assim os direitos e os interesses de toda a coletividade. Após a apresentação a promotora Ana Rúbia explanou sobre o desafio que é para a sociedade civil organizada, manter essa comunicação com a população urbana e da zona rural como um processo educativo e de empoderamento, pois se não chegarem as denuncias fica mais complicado ainda para o Ministério Público agir para a resolução dos problemas. No Brasil, não faltam boas leis, pois temos as melhores leis ambientais e até mesmo os estrangeiros vêm nos copiar.
Debates, análises e reflexões
Segundo Assis do STB – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bodocó, já levou denuncias a promotoria pública sobre o caso de um grande produtor que vem utilizando herbicida e contaminando as fontes de água onde algumas famílias bebem e que não nunca houve punição, pois esse é um dos sérios crimes ambientais que acontecem naquele município, e até hoje a justiça não resolucionou nenhum. Segundo a Doutora, isso constitui um crime ambiental, e a questão da poluição da água por uso veneno é crime e a pena é seria, o órgão é o CPRH (Agencia Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), pois precisa-se de um analise desta água para se tomar as devidas providências, e que o papel do Ministério Público é trazer a constituição para a realidade e para a prática.
Como a população da Região do Araripe pode ter saúde sem água de qualidade, pois falta saneamento, e em algumas periferias está cheio de lama de esgoto. As pessoas precisam de água de qualidade, é direito nosso. O nosso principal problema é a distribuição de água, pois no Atlas do Nordeste está mapeada onde estão as principais fontes de água (lençóis freáticos, demandas por água, demografia), o que deve ser feito é implementar tecnologias de captação de água de chuva e também barragens bem estruturadas com capacidade de distribuição para as camadas com mais difícil acesso. Primeiro deve-se resolver o problema da água para beber e cozinhar, pois resolvendo esse ponto, também ameniza as questões da saúde, e na seqüência se complementa com a água para a produção, para que se crie renda e estruturação da agricultura familiar do semi-árido brasileiro. Os bens naturais (fauna e flora) que existe no Brasil assim como a água é direito de todos, portanto, as águas existentes no sub-solo são da população e não deve ser privatizada.
Uma agricultora do Sítio Santana comentou que a comunidade foi beneficiada com a Adutora do Oeste, a água não é tratada, a COMPESA nos fez assinar um documento se responsabilizando por venha acontecer através da água. A Dr.ª Rúbia respondeu que o documento que a COMPESA pediu para ser assinado não tem validade nenhuma, mas é melhor não assinar, infelizmente não havia ninguém da empresa para responder. Disse também, que hoje pagamos uma taxa de captação, tratamento e distribuição, e que as famílias que são muito pobres, paga apenas uma taxinha e se não tiver condições, não podem ser privadas de receber água, isso é lei. Nós pagamos pela água, quando compramos água mineral.
Dadinho que é representante do Fórum Territorial fez uma breve apresentação do consorcio de Prefeitos do Araripe e comunicou que o prefeito João Bosco de Granito não pode participar, assim como os demais prefeitos do Araripe que estão ausentes na região do Araripe. Tiquinho, Secretário de Agricultura de Exu, expôs que até o dia 19 de março, o município de Exu estava completamente seco, e agora caiu uma chuva que destruí diversos açudes e barragens. Segundo o mesmo, é um resultado da mudança climática.
3. Paulo Pedro: Alguns dados e reflexões para nos estimular e agir já – Antigamente as pessoas debochavam quando se falava de mudanças climáticas, mas hoje já está se vendo os exemplos.
Jil Boes no Piauí é o lugar com o maior grau de processo de desertificação no Brasil.
4.Dadinho: Se nós discutíssemos como perenizar esses canais de água para irrigação.
Encaminhamentos
Essa geração de agora está começando a mostrar o primeiro passo da conscientização da sociedade. Tiquinho, secretário de agricultura da prefeitura de Exu fala sobre os eventos que estão acontecendo em Exu: “Desde os primeiros eventos participamos, fizemos uma assembléia em Exu para discutir água, e acho que precisamos continuar, acho que um evento como este deve ser realizado em Exu, pois ajudaria bastante, pois a água esta sendo desperdiçada. Reginaldo Alves, coordenador geral do Caatinga diz que a partir de julho quando está estabelecido o cronograma para as eleições, deve-se fazer debates com os principais políticos sobre as reais propostas na gestão e abastecimento de água. “O que eu quero dizer é que esses eventos devem continuar acontecendo nos municípios. Com toda essa chuva e em agosto estaremos em seca de novo. Em cima da Chapada do Araripe às famílias tem que sair por causa de muita água. Os Conselhos de meio ambiente (nacional, estaduais e municipais) Fóruns, ongs e ocips ambientais Associações ambientalistas Comitês de bacias hidrográficas devem criar estratégias conjuntas”
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