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24/02/2014

Araripe pernambucano conta com certificadora de produtos orgânicos

publicado por

Com informações da Ascom PDHC

Algodão agroecológico produzido no assentamento Frei Damião em Santa Cruz-PE   Foto: Flávio Eiró

Algodão agroecológico produzido no assentamento Frei Damião em Santa Cruz-PE   Foto: Flávio Eiró

Segundo os indicadores sociais do IBGE (PNAD 2007), mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do País, gerando os produtos da cesta básica consumidos pelos brasileiros. Neste sentido, informações do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável do Sertão do Araripe, ressaltam que a região araripiana se destaca por possuir grande número de estabelecimentos pertencentes à agricultura familiar. E, em relação à agroecologia, existe um significativo número de experiências que são referenciais no Território, assim como um expressivo número de propriedades que estão em fase de transição (agricultura convencional para a agroecológica).

Desse modo, a criação da Associação dos Agricultores e Agricultoras Agroecológicos do Araripe (ECOARARIPE) e seu consequente credenciamento como Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPAC), do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) vai garantir que os produtos da agricultura familiar agroecológica tenham reconhecimento e selo brasileiro orgânico dos produtos vegetais. O credenciamento permite que a OPAC, emita o selo permitindo que as famílias agricultoras comercializem seus produtos com valor agregado.

Com a recente conquista, centenas de famílias poderão ser beneficiadas na região, a exemplo, dos/as agricultores/as do Assentamento Frei Damião, em Santa Cruz que produzem o algodão em consórcio agroecológico e já conseguiram garantir a venda do algodão em pluma para a empresa francesa Veja Fair Trade, que confecciona tênis com matérias-primas orgânicas.

“A gente está muito satisfeito com a criação da EcoAraripe porque agora a gente vai andar com os nossos próprios pés. No nosso caso, o cultivo do algodão é um aprendizado e complemento para a agricultura familiar. Hoje, a comercialização está sendo feita para a Veja e este ano, com as chuvas a gente quer produzir uma safra recorde. Mesmo na seca a gente produziu 720 quilos de pluma, o que tem um  bom significado para o agricultor do Semiárido”, disse o agricultor assentado, Severino Amaro da Silva mais conhecido como Joca.

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O credenciamento da EcoAraripe foi autorizada pelo MAPA em dezembro de 2013 com o apoio do Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), Caatinga e outros instituições parceiras. A certificadora é formada por onze grupos de comunidades/assentamentos do Araripe/PE.

Intercâmbio de Experiência

No último dia 20, uma caravana formada por representantes de diversas entidades da sociedade civil e do governo estiveram no Assentamento Frei Damião para conhecer a experiência das famílias na produção do algodão em consórcio agroecológico. A visita fez parte da programação do IV Encontro sobre Certificação Orgânica que aconteceu entre os dias 18 e 20 em Ouricuri.

Entre os presentes, estiveram agricultores/as, membros da empresa francesa Veja Fair Trade, representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Esplar, Caatinga, Copagro, Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), Embrapa Algodão, Rede EcoVida, EcoAraripe e Prefeitura Municipal de Santa Cruz.