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16/07/2017

“Fechar escola é crime!”

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Em entrevista ao Caatinga, professora da UFPB alerta para as consequências do processo de fechamento das escolas do campo

por Kátia Rejane

Albertina de Brito (à direita) participou de mesa em encontro da ASA | Foto: Verônica Pragana (Asacom)

Aconteceu no município de Areia (PB), entre os dias 11 e 13 de julho, a Oficina de Formação dos Monitores e Monitoras Pedagógicos/as do Programa Cisternas nas Escolas, realizada pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). A professora Albertina Maria de Brito, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), campus Bananeiras, e que integra a Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab) participou contribuindo em uma das mesas do encontro. Em entrevista ao Caatinga, Albertina Brito fala sobre a importância de uma educação para a convivência com o Semiárido e alerta para as consequências do processo de fechamento das escolas do campo.

Caatinga – Como você avalia o papel da academia no processo de construção e fortalecimento da convivência com o Semiárido?

Albertina Maria de Brito – A academia tem um papel fundamental de democratização do conhecimento, democratização do saber, de sistematização na tentativa de aprimoramento de processos históricos, culturais dos povos do Semiárido. Para isso, a academia precisa primeiro se descobrir também nesse contexto. É preciso ela reconhecer que tem um papel. Já existem vários sujeitos na academia que tem esse empoderamento do reconhecimento do Semiárido, mas é preciso a gente avançar no sentido de se reconhecer como sujeitos históricos num contexto que teve processos de escolarização negligenciados, no direito a ter acesso. E é preciso a gente ir entendendo isso, dar as colaborações, que de fato vão influenciar o que a gente defende quando se trata de educação como direito, de propiciar a emancipação desses sujeitos, de propiciar a liberdade, no sentido de liberdade de ação, de atuação. O conhecimento e o reconhecimento com valorização dos seus processos históricos e culturais. E aí a academia tem um papel fundamental no que diz respeito em como ela fomenta suas pesquisas.

Caatinga – E a participação de outros atores, outras organizações nesse processo de educação, como você avalia isso?

Albertina – São sujeitos que são fundantes dese processo. Fundantes no sentido de existência histórica desse contexto, e sujeitos que tem conhecimentos, que tem sabes históricos que precisam ser também partilhados. E um dos espaços da partilha desses processos é por meio da escolarização, é por meio dos processos de uma academia que luta e enxerga esses sujeitos como conhecedores, sabedores, detentores de saberes históricos, necessários a nossa existência como um todo. Tais como a soberania alimentar, a escolarização enquanto direito no sentido e significado pra vida dos sujeitos. A gente tem inúmeras comunidades tradicionais, com pessoas que fazem esses processos, porém não têm a visibilidade necessária para que esses processos tomem a devida amplitude que devem tomar, no sentido da dimensão do Semiárido mais povoado do mundo que é o nosso.

Caatinga – Nesse território, vocês fizeram uma pesquisa sobre o processo de fechamento de escolas. Queria que você contasse para a gente um pouco de como vocês enxergam esse processo que acontece no Brasil todo de fechar escolas do campo. É de fato necessário fazer esse fechamento ou tem outras vias?

Albertina – Tem várias outras vias. Primeiro a gente entende que fechar escola é crime! Existe uma bandeira de luta, como iniciativa dos movimentos sociais, principalmente o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra]. E fechar escola é um crime porque fere o direito a ter acesso a uma educação escolarizada com toda a carga de conhecimento histórico do contexto que o sujeito está inserido. Na hora que você fecha, você tira essa possibilidade, você nega que o sujeito tem acesso a conhecimentos universais, conhecimentos que são parte do patrimônio histórico da humanidade. Com todas as contradições que a escola tem, você tira todas as possibilidades de existência, de construção de conhecimento desses sujeitos nesse contexto. E a nossa luta é pelo direito a ter acesso à educação, só que não é qualquer educação. E a educação que a gente defende é aquela que bebe nos princípios da educação para a convivência com o Semiárido, nos princípios da educação popular, nos princípios da educação do campo. É a educação que bebe nos princípios do acúmulo da sociedade civil organizada e que tem demonstrado por várias vias, por vários caminhos, como a gente pode protagonizar esses processos. Então, a gente defende essa educação também dentro da escola. A gente fala educação num sentido amplo, educação dentro e fora da escola. Entender esse processo de fechamento por meio de uma pesquisa foi uma iniciativa da Rede de Educação do Campo da Borborema. A rede é constituída por pessoas e instituições do Território Agroecológico da Borborema, que é mobilizado pelo Polo Sindical da Borborema, que é uma organização de sindicatos locais que tem todo um processo e ações educativas nesse contexto. A rede se constitui de sujeitos, universidades, assessores técnicos da AS-PTA, do Polo, da UFPB campus Bananeiras, representantes de secretarias de educação. E a rede se articula desde 2006/2007, como iniciativa  reconhecimento das práticas em educação do campo no nosso território, e de reconhecimento da necessidade de valorização dessas práticas. E um dos encaminhamentos nosso foi, primeiro mapear essas realidades em termos de educação do campo. Depois, com a chegada mais ou menos em 2009/2010, quando ficou mais forte o processo de fechamento, a gente viu como uma necessidade fundamental de entender isso, e aí foi quando veio a história de fazer uma pesquisa, feita a várias mãos de entendimento de como está esse processo. Só que pensamos a pesquisa não para quantificar, mas para entender o impacto desses processos na vida dos camponeses. É daí que vem os relatos, que são chocantes, de pessoas que não tem mais acesso a essa escola no seu contexto. É o seu direito negado nesse processo de reordenamento escolar. Na tentativa de entender isso, a gente selecionou quatro municípios: Solânea, Remígio, Areia e Massaranduba. Desses quatro, como somos poucos e a gente não teve como dar conta de tudo, a gente trabalho especificamente dois: Solânea e Remígio e mais especificamente Solânea, que foi o município que a gente chegou a fazer a devolução do resultado dessa pesquisam com os sujeitos que participaram das narrativas com relação ao impacto desse fechamento. A gente não chegou a publicar, mas nós temos elementos para discutir porque não fechar, porque fechar é crime, porque que existem outras vias para o não fechamento. Temos elementos para fazer isso e a gente está tentando pautar por onde a gente passa, com base nesses elementos, esses resultados. Não existe só essa pesquisa, já existem outros estudos mais quantitativos sobre os fechamentos, inclusive no contexto do Semiárido. Enquanto Rede de Educação do Polo da Borborema temos assento no Comitê Estadual de Educação do Campo e lá a gente já está pautando a necessidade de entender e trazer a tona esse processo do fechamento no estado como um todo.

Caatinga – No contexto político em que vivemos de golpe, como as atuais medidas do governo estão impactando a educação contextualizada para a convivência com o Semiárido?

Albertina – Foram cortes significativos no que diz respeito a redução de investimento em uma educação, que não é nem a educação que a gente espera, é importante ressaltar isso. Mas houve cortes e a tentativa de imposição, por exemplo, da escola da mordaça. Que é uma proposta que vem com uma escola sem partido, mas totalmente partidária a um modelo de desenvolvimento econômico que desconstrói todo processo que a gente vem construindo de maneira lenta, de maneira desafiante por conta das condições que temos para construir, que não são muitas. Mas somos muito resistentes no Semiárido, e vem por exemplo, uma proposta como essa do governo para quebrar todo esse processo, por exemplo, a Reforma do Ensino Médio, uma proposta que vem no sentido de formação de mão de obra. Não é nenhuma formação voltada para pensar a vida, para pensar a existência da vida no lugar que se tem. É uma formação voltada para a profissionalização do sujeito para desqualificação do trabalho e venda da mão de obra barata. Então, há uma série de ataques na educação como um todo, e são justamente porque a gente estava conseguindo ter um pouco de avanço, no que diz respeito a maneira de pensar, de se enxergar e de ser. Então, o desmonte principal, o ataque é na educação.


30/06/2017

O Araripe parou, neste 30 de Junho em Ouricuri

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Nesta sexta feira, 30 de junho, convocada pelas centrais sindicais acontece em todo Brasil, greve geral, no Araripe pernambucano, foram fechadas duas rodovias nesta manhã, a BR 316 e PE 122, finalizando o ato com o encontro dos dois grupos no centro da cidade de Ouricuri, onde foi fechado o semáforo central, que liga as duas principais avenidas da cidade.

A principal pauta do movimento é o repudio as reformas trabalhistas e previdenciária, as quais tiram uma série de direitos conquistados ao longo de muitos anos, inclusive dificulta as aposentadorias, especialmente aposentadoria rural e aposentadoria de mulheres, aumentando a idade e o tempo de contribuição.

Outra motivação do movimento é o pedido de queda do governo ilegítimo de Michel Temer, que assumiu a presidência após a retirada da presidenta Dilma Rousseff, e mesmo com tantas provas e citações de envolvimento de Temer, em esquemas de corrupção, continua no poder, portanto, os movimentos sociais em todo o Brasil pedem por eleições diretas, onde o povo possa de forma democrática escolher o próximo presidente, gritos de Fora Temer e Diretas Já, ecoaram neste dia de hoje em todo o Brasil.

Com bastante animação mulheres, homens e jovens de todos os municípios do território do Araripe, se dirigiram a cidade de Ouricuri, nesta sexta feira. “ Eu já tenho 70 anos de idade, mas venho a luta quantas vezes precisar, por que penso em meus filhos e netos que também precisam se aposentar” Diz Josefa Silva, do município de Santa Cruz.

O evento foi organizado pela Frente Brasil Popular através do Comitê da Democracia do território, formado pela Federação de Trabalhadores de Pernambuco (FETAPE), Sindicatos dos servidores públicos de Ouricuri ( SINDSEP), Sindicato dos trabalhadores da educação de Pernambuco ( SINTEPE), Sindicatos de trabalhadores/as rurais de Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena, Trindade, Araripina, Ipubi, Bodocó, Exu, Granito, Moreilândia e Parnamirim, Movimento dos pequenos Agricultores ( MPA), Movimento Sem Terra ( MST), Movimento de mulheres e movimento de jovens do Araripe. Segundo organizadores, o evento atingiu as expectativas e contou com a participação de 3.000 pessoas.


29/06/2017

O Araripe vai Parar!

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Esse é o chamamento, que o comitê pela democracia no Araripe, está fazendo, a toda a população.  Em protesto as reformas propostas pelo governo Temer: Reforma Trabalhista e Reforma Previdenciária, que tiram direitos da classe trabalhadora, conquistados à custa de muita luta, também está em pauta o pedido de Fora Temer, em repudio ao governo ilegítimo e pedido por eleições diretas, como forma de garantir a participação da população na escolha dos governantes, garantindo que haja um processo eleitoral democrático.A programação do dia 30 de Junho, se dará em Ouricuri, em função de geograficamente ser um município central, a partir das 7:30 da manhã. A expectativa é que cerca de 2000 pessoas participem do ato.

Assessoria de comunicação do comitê da democracia no Araripe.


27/06/2017

Por que não é viável criar bois no Semiárido?

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A criação animal é uma das atividades humanas que faz parte da história dos povos do Semiárido. Cabras, ovelhas e bodes – animais de pequeno porte – estão na base da convivência das famílias camponesas com a região. Na cultura popular, são as figuras do vaqueiro e do boi que permeiam das artes às festividades do sertanejo e da sertaneja. Também estão nos noticiários e nos documentários que, por vezes descontextualizados, constroem uma realidade que coloca nas estiagens a culpa pelas carcaças de boi espalhadas pelo sertão. “É a seca.” Será mesmo?

Por que não é viável criar bois no Semiárido?

“A região do nosso Semiárido é característica pelas chuvas menores que a evapotranspiração – então você tem um déficit hídrico e boa parte do ano vai estar seco. A pecuária é mais adequada quando ela vive do pasto nativo”, é o que afirma José Moacir dos Santos, presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea) da Bahia pelo Irpaa, organização da qual é Coordenador do Eixo Produção Agropecuária e Extrativismo. Para Moacir, diante de um cenário geral, os animais de pequeno porte podem viver de pasto nativo, não necessitando de lavoura cultivada ou de ração comprada. A realidade da criação, importante acrescentar, é de uma lotação de unidades animais acima do que o pasto nativo comporta. Há mais animais do que um hectare do Semiárido pode oferecer. Num cenário de seca, as famílias agricultoras que possuem criação de pequeno porte estarão mais bem adaptadas e os animais não sofrerão tanto com a falta de alimentação que gera as conhecidas imagens de carcaças tão difundidas pela mídia ao abordar as estiagens. Isso também evita a compra de alimentação como o farelo de soja. Produzido em larga escala através do uso de agrotóxicos em plantações transgênicas, a ração a base desse farelo põe em risco a qualidade dos produtos como carne e leite, a saúde da agricultora e do agricultor e a expansão dessas monoculturas devastadoras sobre os biomas da região.

A criação de bois e vacas precisa de uma grande quantidade de água e terra com pasto para ser viável; diferente da pecuária baseada na criação de pequeno porte, como a de cabras, bodes e ovelhas. De acordo com a cartilha produzida pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – Irpaa para criação de cabras “a quantidade e qualidade do pasto [necessário para a criação] depende das condições de solo, quantidade de chuva e tratos culturais. Cada região tem seu potencial produtivo diferenciado.” Se consideramos uma quantidade próxima de consumo de pasto entre os dois tipos de criação, ainda segundo a entidade, uma vaca consome o mesmo que 8 cabras – que, por sua vez, produzem mais leite e têm mais crias durante o ano.
O Semiárido brasileiro tem animais nativos de pequeno porte, diferente de outras regiões no mundo. A região e seu pasto nativo, que é formado pela vegetação da Caatinga e do Cerrado, naturalmente, não suportam a criação de animais de grande porte, principalmente nas épocas do ano em que essa vegetação não é verde e não oferece alimentação adequada. Embora haja áreas bem irrigadas e que poderiam suprir a demanda por mais pasto, elas só correspondem a 3% do Semiárido e estão em sua maioria ocupadas pelos modelos do agronegócio.

Mas essa não é a única questão. “O boi, vive em regiões que têm capim, como há em grandes quantidades nas savanas da África. A Caatinga não oferece naturalmente esse capim. Inicialmente, na ocupação dessas terras, o vaqueiro botava fogo na vegetação. Havia além do objetivo de queimar os cactos para o boi comer, a necessidade de criar pastos com capim… E assim o boi foi degradando a Caatinga ao longo do tempo”, diz Moacir quando acrescenta que os animais de grande porte trazem para a Caatinga o problema do desmatamento e, por conseguinte, da desertificação.

Tem a mesma opinião Francisco de Assis Batista, que é diretor da Associação Cristã de Base – ACB, no Crato/CE, e também criador de caprinos na Chapada do Araripe. “Pra gado tem que desmatar. Nós começamos estudando os sistemas agroflorestais – isso foi o que nos incentivou e nos mostrou, quando a gente avalia nossa vegetação, que ela não comporta o animal de grande porte. Nossa Caatinga é mais fechada, é mais tortuosa [do que as savanas africanas]. Não dá para um touro ficar passando por ela. Teria que abrir [desmatar] pra ele passar.”

Seu Batista, como é conhecido, cria caprinos e percebeu desde o início que sua propriedade, localizada na parte de cima da chapada, não oferece água ou pasto suficiente para a criação de animais de grande porte. Além disso, o manejo deles precisa de mais pessoas, trabalhadores muitas vezes contratados, o que não é uma realidade das famílias agricultoras. “A cabra é um animal mais rústico, que come até folhas secas. É mais fácil de cuidar. Você pode soltar e ele se alimenta do que a Caatinga tem. É uma criação de capoeira.”

Para Francisca Gomes de Souza, conhecida como Betânia, agricultora do Sítio Samambaia, na região de Araripina/PE, a criação de gado enfrenta problemas tanto por causa do manejo mais dedicado quanto por causa da escassez de pasto e água. Ela e seu esposo, Seu Severino, possuem oito cabeças de gado, grupo que já foi maior, mas que não resistiu às estiagens dos seis últimos anos. A família usa o estrume gerado pelos bois e vacas para a horta onde cultivam a produção vendida na Feira Agroecológica de Araripina. A água do local vem de uma cisterna de 52 mil litros e de um poço. É a água usada tanto para irrigação da horta quanto para a criação animal – que também inclui cabras e ovelhas. Embora a manutenção dos bois e vacas tenha a ver com a adubação da roça (o que evita a compra de adubo de terceiros), Betânia não tem dúvida quando perguntada sobre qual rebanho é mais fácil manter. “Nós criamos animais há muito tempo e daí já dá uma noção do que dá mais trabalho. A cabra, sem dúvidas, é melhor criar pois come menos e dá menos trabalho. O gado talvez seria uma poupança se não houvesse perda por causa da seca. Nós criamos o gado solto. Não é todo mundo que tem pasto e se não tem chuva não tem pasto.”

Seu João Simão dos Santos, agricultor do Sítio Jenipapo (próximo ao Crato/CE), tem um pensamento que também converge nesse sentido. Homem de poucas palavras e de uma simpatia acolhedora, ele tem mais de 70 galinhas, 10 porcos e 8 ovelhas. Ele não cria bois e vacas. “Onde a cabra passa uma semana se alimentando, o boi só passa um dia.” Ele planejou o rebanho pensando no tamanho da sua propriedade e na quantidade de água que tem disponível. No entanto, as estiagens dos últimos anos também trouxeram situações de dificuldade para o agricultor. Emocionado, ele contou que em alguns momentos foi muito difícil por falta de pasto suficiente. O ganho continua pouco, mas Seu João não desiste do manejo de animais. “Gosto de vê-los bonitos!”

“Agronegocinho” – José Moacir e Seu Batista apontaram uma terceira questão sobre a cultura do gado no Semiárido. “Imprime-se uma ideia de poder”, diz Seu Batista. “Existe uma ideia de agronegocinho”, nota Moacir. As duas falas vão ao mesmo sentido: um movimento contrário às lutas camponesas e à agricultura familiar de base agroecológica. Por vezes, as relações de poder estabelecidas influenciam na ideia de que ter e manter o gado coloca o agricultor ou agricultora em um outro lugar e isso pode acabar afastando ou enfraquecendo a própria ideia de agricultura familiar. Quando os rebanhos de ovinos e caprinos diminuem nas estiagens é porque são muitas vezes vendidos para gerar recurso para comprar ração, como a de farelo de soja do agronegócio, para alimentar somente por alguns meses os bois e as vacas. É preciso repensar a viabilidade desse manejo no Semiárido.
Texto: Hugo de Lima – Asacom Foto: comunicação Irpaa

 


26/06/2017

Forrozeiros fortalecem a Campanha: #Devolva Nosso São João

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A fogueira ta queimando, em homenagem a São João, o forró já começou, vamos gente, rapa-pé nesse salão( Música: São João na roça. Luiz Gonzaga)

Os tradicionais festejos juninos, tem como origem famílias que se reuniam em volta da fogueira para comemorar as festividades ocorridas no mês de junho, homenageando santos da igreja católica (Santo Antonio, São João e São Pedro), com o passar do tempo se tornou uma festa conhecida em todo o Brasil, caracterizada pelas quadrilhas juninas, comidas típicas, e o tradicional forró, feito com sanfona, zabumba e triangulo. Esse conjunto de conhecimentos, sabedorias e sabores Traduzem os sentimentos de devoção, gratidão pela colheita realizada, resistência e animação características do povo nordestino.

Imagem da internet

Nos últimos anos, as festas juninas promovidas, pelas gestões publicas, trazem cada vez menos, a presença de sanfoneiros nas programações, especialmente nas grandes cidades do nordeste, como Caruaru em Pernambuco e Campina Grande na Paraíba.

Em protesto a essa posição das gestões publicas, sanfoneiros dos diversos lugares do nordeste lançaram, nas redes sociais a campanha: #Devolva nosso São João, que denuncia a descaracterização do São João nas programações dos festejos públicos.

A campanha encabeçada pelos músicos Joquinha Gonzaga ( sobrinho de Luiz Gonzaga) e Chambinho do Acordeon, (intérprete do Rei do Baião no filme Gonzaga: De pai pra filho), ganhou a adesão de vários forrozeiros em todo o nordeste. O manifesto político – cultural, é uma forma de chamar atenção dos governantes, e principalmente da população para a invasão de ritmos e músicos de outras regiões do País, que conseguem através de grandes empresas de entretenimento adentrar nas programações juninas em diversos municípios, desrespeitando a tradição local.

No sertão do Araripe Pernambucano, região onde esta localizada a Exu, cidade do eterno rei do baião Luiz Gonzaga, a situação não é diferente, mesmo os festejos sendo menores, e estando tão próximo da cidade do Gonzagão, as programações juninas dos municípios, conta com pouquíssimos  sanfoneiros, ganhando espaço ritmos como sertanejo, funk, forró estilizado e pisadinha.

Os forrozeiros dessa região também aderiram à campanha, além de Joquinha Gonzaga, os forrozeiros e compositores Elmo Oliveira, Flávio Leandro aderiram a campanha como forma de luta para manter viva o legado do Gonzagão, e oportunizar a juventude conhece -lo “ O forrozeiro perde por que deixa de ganhar, perdoe – me, a redundância, a população perde por que deixa de reafirmar sua identidade cultural, agora a perda maior é da juventude por que não tendo seu cordão umbilical ligado a nossas raízes acaba achando que está tudo certo” Diz Elmo Oliveira, ao falar das perdas em decorrência do esquecimento dos forrozeiros nas programações juninas.

Entre as frases divulgadas pelos artistas ganharam força nas redes sociais: “Devolvam o nosso São João”, “São João é do Nordeste” e “São João só é grande quando tem forró”.


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