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30/08/2013

Carrossel do Semiárido Sustentável

publicado por

Por Emanuela Castro – Assessora de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

 

Foto: ASCom ASA-PE

Foto: ASCom ASA-PE

Para que Dona Maria Viana, do município de Ouricuri, possa economizar a água no canteiro de sua propriedade, ela utiliza da lona plástica como um forro que retém a água para o período da seca. É assim que a agricultora garante verduras para o ano inteiro e uma alimentação mais saudável para sua família. Essa foi uma das experiências apresentadas no primeiro dia do Encontro Estadual da ASA-PE. Além da temática da Soberania e Segurança Alimentar, mais cinco temáticas foram apresentadas, como: o acesso a mercados e economia popular e solidária, educação contextualizada, a contribuição das mulheres na convivência com o semiárido, Políticas de ATER e combate à Desertificação e Mudanças Climáticas.

Para Sebastião Alves, vice-presidente do SERTA, que apresentou a experiência “Educação contextualizada”, a educação profissional do campo busca colocar em prática o que se aprendeu na escola, e tem como objetivo transformar o território. “O que o SERTA faz é construir tecnologias complementares que possam conviver com o Semiárido, na troca com os agricultores/as e com os jovens, respeitando a cultura de cada localidade.”, completou. Durante a apresentação, também trouxe como reflexão o papel da cidade nesta convivência, com a construção de agriculturas urbanas, varandas e coberturas produtivas, árvores frutíferas nas praças, entre outras alternativas agroecológicas.

Uma outra experiência interessante desta tarde foi a contribuição da mulher na convivência com o Semiárido, que teve como destaque o papel da população feminina nos espaços de poder, como as comissões estaduais e municipais, em espaços de controle social como os conselhos, de proposições como as audiências públicas, entre outros. Segundo Tatiana Faustino, técnica educadora da Casa da Mulher do Nordeste, é preciso uma assessoria de fortalecimento e escuta contínua com as mulheres, que busque a ocupação desses espaços de poder. O debate dos grupos levantaram alguns desafios, como a dificuldade de pautar as questões de gênero nesses espaços.

No grupo que discutiu sobre a Política de ATER, se propôs como desafio uma ATER universalizada. “Precisamos ampliar o conceito de ATER. Uma política de transformação e produção de conhecimento a partir de agricultores e agricultoras.”, disse Geovanne Xenofonte, da Caatinga.  Durante a apresentação, o agricultor Vilmar Luiz Lermen, de Exu, destacou a construção de conhecimento que é produzida pelos agricultores/as, e a importância de sistematizar essas experiências. “Acredito na transformação das comunidades. Nós precisamos acreditar mais em nós”, falou.

Na prevenção a desertificação, o produtor Luiz Vitorino, do Assentamento Barra Nova, de Serra Talhada, apresentou a experiência de manejo florestal sustentável, que tem o apoio da Associação Plantas do Nordeste. Em sua fala, destacou as vantagens econômicas, legais e sociais atribuídas à atividade, entre elas estão a geração de renda, a produção legalizada e sustentável da madeira e o fortalecimento da organização comunitária local.  Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer uma alternativa viável para a prevenção da desertificação do Semiárido que vem sendo ocasionada pelo desmatamento e práticas como: o sobrepastoreiro, queimadas e irrigação do solo. “Os vizinhos não fazem mais queimadas, nem botam fogo na macambira. Eles também não cortam mais as árvores, como a aroeira e baraúna.”, contou.

Para completar o ciclo de experiências, Poliana Rodrigues, cooperada da Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar Orgânica e Agroecológica, e também técnica agrícola da ADESSU de Baixa Verde, apresentou a experiência da (COOPCAFA), com a temática de Acesso ao Mercado e Economia Popular Solidária. Entre os produtos que a cooperativa comercializa estão a cana de açúcar, que produz rapadura de vários tamanhos, produção de mel, açúcar mascavo, batida, como também o beneficiamento de frutas.  Para escoar a produção, acessam o PNAE e o PAA, como também possuem uma loja de vendas dos produtos. “A economia solidária é uma forma que ajuda os próprios cooperados, a produção vem direto dos sítios de agricultores/as, e a cooperativa compra a produção deles/as e não mais pelos atravessadores. Além de termos nosso próprio espaço, e com a renda revertida para os agricultores/as”, relatou Poliana. Hoje a cooperativa é formada por 54 cooperadores/as, e 40% são mulheres.


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