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7/01/2013

Especial portal NE10: Ongs defendem reservatórios de alvenaria

publicado por

Foto: Zuleide Izídio

 

Até setembro de 2011, quando o Ministério da Integração Nacional decidiu adquirir reservatórios de polietileno para o semiárido brasileiro, todas as cisternas construídas no Brasil eram de placa (alvenaria). Os recursos para a fabricação dos equipamentos de concreto eram repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) – entidade que congrega mais de 750 organizações civis do País. Em 2003, a ASA lançou o projeto “Um milhão de cisternas”. A meta era atingir o número que dá nome ao projeto em cinco anos. Mas, passados nove anos do lançamento, apenas 50% do total foi alcançado. E foi utilizando o argumento do atraso que o Governo Federal decidiu adotar as cisternas de polietileno em vez das de cimento.

A decisão gerou reações em algumas cidades do Nordeste. Em fevereiro de 2012, produtores rurais de Crateús (CE) foram às ruas pedir o fim da instalação das cisternas de polietileno. Em Petrolina (PE), um grande protesto parou a ponte que liga a cidade pernambucana a Juazeiro (BA). O ato reuniu, em dezembro de 2011, mais de dez mil pessoas, que também pediram o fim da compra de cisternas de plástico. A pressão da população, com o apoio da ASA, fez o Governo Federal voltar atrás e investir novamente, porém em menor quantidade, nas cisternas de concreto. A ASA continua recebendo recursos do MDS para construir cisternas de placa, mas perdeu a exclusividade e diversas áreas de atuação, que agora são definidas pelo Governo. Em Pernambuco, o ASA está atualmente nas cidades de Venturosa, Orobó, Afogados da Ingazeira, Santa Filomena, Serra Talhada.

A coordenadora executiva da ASA em Pernambuco, Neilda Pereira, explica que a celeridade do programa depende dos repasses de recursos do Governo Federal. Na defesa dos reservatórios de placa, ela diz que, além de custar a metade do preço da cisterna de polietileno (R$ 2.500 contra R$ 5.090), o modelo é mais resistente e movimenta a economia local, já que o material de construção é adquirido através de pregões junto às lojas dos municípios beneficiados e as pessoas contratadas para construí-las residem nas próprias localidades. “O projeto envolve toda a comunidade e a qualidade da cisterna pode ser comprovada, diferentemente das de polietileno. Existem cisternas com mais de 35 anos, construídas pela Igreja Católica em cidades do Sertão pernambucano, que nunca apresentaram problema”, argumenta.

 

Giovanne Xenofonte, Coordenador do Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não-Governamentais Alternativas (Caatinga), que atua em 11 municípios do Sertão do Araripe de Pernambuco e tem como um dos parceiros a ASA, também critica as cisternas de polietileno.”O grande diferencial do projeto da ASA é o seu poder de mobilização social, onde as pessoas entendem que ter água é um direito de todos. É por isso que as cisternas de placa incomodam muita gente. Eu encaro a cisterna de plástico como mais uma arma da indústria da seca, onde poucos lucram com a miséria”, afirma Xenofonte. Levando em conta os custos das duas cisternas, ele lembra que, enquanto as 300 mil cisternas de polietileno custarão R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, esse valor seria de R$ 750 milhões se a tecnologia fosse a de placas.

O diretor do programa Água para Todos do Ministério da Integração Nacional, Sérgio Duarte, afirma que, apesar de mais caras, as cisternas de plástico são mais duráveis (segundo ele possuem 35 anos de garantia) e asseguram melhor qualidade da água, já que são impermeáveis, sem risco de vazamento ou contaminação, e já são usadas em diversos países.

Em relação às críticas de que os recursos investidos nos reservatórios de polietileno são concentrados apenas para o fabricante (Dalka) e as empresas contratadas para a instalação – enquanto o dinheiro usado para a construção das de placa movimenta a economia dos municípios beneficiados -, Sérgio Duarte argumentou que as quatro fábricas construídas pela Dalka continuarão funcionando após a conclusão do programa. “As empresas irão trabalhar exclusivamente com produtos de polietileno, garantindo emprego nas cidades”, disse.

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