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 Cisterna de placas - a felicidade de um povo isolado

A Comunidade do Sítio Suturno, fica localizada a 16 km do município de Bodocó - PE é uma região de difícil acesso, por estar localizada na descida da serra do Araripe. O meio de transporte mais utilizado pelas famílias é o jumento. Mas na maioria das vezes as pessoas se locomovem a pé. Nesta região moram aproximadamente 17 famílias.

Na comunidade Sítio Suturno a única água disponível para as famílias era a de pequenos barreiros, que embora imprópria para consumo é utilizada para cozinhar, banhar, e outros afazeres domésticos, bem como para matar a sede dos animais. Para beber as Famílias ainda utilizam água de caldeirões armazenada na época de chuvas. No período de seca a situação fica ainda mais grave, porque tanto os pequenos barreiros como os caldeirões secam, obrigando as famílias a descerem a serra na busca de água para saciar sua sede e dos animais. Esta caminhada se repete todos os dias a partir das 3 horas da manhã.

O milho e o feijão são os principais alimentos produzidos pela comunidade que plantam em terras arrendadas, em média 03 tarefas por família. A Produção é para o consumo próprio e para alimentar a criação. A maior dificuldade da comunidade sempre foi a falta de água de qualidade que seja suficiente para atravessar o período de seca. Em 2005, essa realidade começou a mudar, a comunidade começou a participar da mobilização feita pela Comissão Municipal do P1MC de Bodocó, para execução do Programa Um milhão de Cisternas Rurais P1MC da ASA (Articulação no Semi-Árido Brasileiro). A Comissão Municipal selecionou a comunidade para ser beneficiada e a partir daí se iniciou toda uma mobilização local para a construção das cisternas.

Em mutirão, adultos jovens e crianças de posse de utensílios improvisados, transportaram o material em meio a tantas dificuldades. Iniciada a construção das cisternas, a parceria dos moradores continuava. Todos eram serventes. E na cozinha era preparada aquela comida típica da região, que regada pela precisão, o carinho e o afeto, tornava-se o mais saboroso alimento. Dona Valdelice, uma das participantes do mutirão conta que de tanto subir e descer para pegar água, uma boa quantidade das pessoas da comunidade tinha problemas de saúde como pressão alta, reumatismo entre outros.

“A água da cisterna é limpa. Melhorou 100%. Estou tão alegre com minha cisterna é uma riqueza. Antes meu esposo não dormia à noite colocando água. Tem horas que rezo para Deus iluminar todos que fizeram com que a cisterna chegasse até nós. Agradeço a Deus e fico imaginando que antes eu ia dormir e ficava pensando no outro dia como ia conseguir água para cozinhar o feijão. Vou renovar o meu telhado para guardar água com mais qualidade ainda. Ninguém aqui colocou água de barreiro nas cisternas e nem vai colocar. Até em São Paulo hoje, alguns conhecidos sabem das cisternas e também da alegria da comunidade. Agora com a cisterna temos água guardada para o tempo seco.”

Hoje já se vê mudança, pois agora as famílias têm cisternas para armazenar água de qualidade e que vai assegurar uma vida mais tranqüila nos períodos longos de estiagem, evitando assim que tantos fatos passados não mais se repitam.

Comunidade do Sítio Suturno, Abril de 2006 Bodocó - Pernambuco