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 Criação de Ovinos em Base Agroecológica

 Sistema de produção agroecológica prova que é possível conviver no semi-árido com dignidade.

Francisco de Assis Tavares, mais conhecido como Pipiu, sua esposa e seus 3 filhos residem no município de Ouricuri, eles moravam no Sítio Caracuí, mas as dificuldades, principalmente de água, fizeram com que se mudassem para o Sítio Gravatá no ano de 1989.

Pipiu conta que na época tinha uma área de 50 hectares de caatinga e 10 hectares de capoeira. A primeira ação foi desmatar a caatinga que hoje tem apenas 5 hectares e 2 hectares de capoeira que foram desmatadas para plantar capim e fazer os roçados de milho e feijão. “Na verdade a gente não tinha conhecimento de manejo de caatinga e na época, a gente achava que a melhor coisa a fazer era queimar a terra pra ela ficar boa de trabalhar. Nos primeiros anos até que deu bom, mas depois a terra enfraqueceu, e a produção foi se acabando”.

No final de 2003, Pipiu e sua família mudaram a visão sobre o sistema de produção, essa mudança se deu através de um curso sobre “Gestão Ambiental” através de uma parceria entre o CAATINGA e o Sebrae. “Começamos a ver a propriedade como um sistema, onde o esterco dos animais ajuda nos roçados, onde os restos do roçado a gente deixa na terra pra dar mais vida. Plantamos árvores todos os anos, fazemos biofertilizante com o esterco dos animais para fazer as plantas ficarem fortes e resistentes, faz 3 anos que não usamos agrotóxicos, nessa área aqui nunca mais entrou veneno”. 

A família mudou o seu sistema convencional para o sistema agroecológico, deixou de criar bovinos para ampliar a criação de ovinos: “Percebi que ter alimento para os animais no período de seca era um dos problemas, pois tinha que comprar o alimento fora da propriedade, foi então que fiz um campo de forragem onde plantei a leucena, a melancia de cavalo, que plantei 200 covas e deu 1.200Kg, e a palma. Também fiz um silo em torno de 30.000 kg de capim e sorgo para dar pros bichos no período de agosto pra frente”.

A criação de bovinos também tomava muito tempo da família, atualmente com a mudança do sistema, podemos realizar outras atividades e a sustentabilidade da propriedade aumentou. “criar ovinos, plantar os roçados e criar galinhas dá menos trabalho, além de ser mais econômico, pois não preciso mais comprar resíduos, pois a alimentação eu mesmo planto. No inverno deixo as ovelhas na capoeira fina e na caatinga, e dou na época da seca: a palma, o silo, e o feno. Hoje vejo que a natureza dá tudo o que a gente precisa e quase de graça”.

A comercialização dos animais é feita na feira local e também na Coopeagra (Cooperativa dos Produtores Agroecológicos do Araripe), na qual Pipiu é sócio e fornece os animais agroecológicos que são beneficiados e vendidos na cooperativa. Pipiu é vice-presidente da Associação dos Agricultores do Sítio Gravatá e representante da associação no CDM-O (Conselho de Desenvolvimento Municipal de Ouricuri) onde são discutidas as questões rurais para o desenvolvimento do município.

Francisco de Assis Tavares
Sítio Gravatá – Ouricuri
Sertão do Araripe – Pernambuco