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Protegendo a mata e tirando o sustento dos roçados

 

Seu Argemiro e Dona Eremita moram no sitio Lastradouro, com seu filho, nora e sua netinha, no municípios de Ouricuri, em Pernambuco. Durante 17 anos de sua vida seu Argemiro morou na região Sudeste do País. Voltou para o Sertão no início dos anos 80, e apesar das várias secas que passou desse tempo para cá, decidiu não mais voltar para o Sul, pois para ele trabalhar aqui no sertão com sabedoria, guardando água, alimentos para a família e forragem para os animais é melhor do que viver preso a um patrão. “a vida aqui é mais tranqüila, somos livres para colocar em praticas as nossas idéias”.

Seu Argemiro destaca que uma das grandes dificuldades na sua propriedade era a falta de água, mas com apoio do Caatinga conseguiu construir uma cisterna de placa de 32 mil litros, depois construiu um açude e por último canalizou água da adutora do açude dos algodões. “se não fosse essas tecnologias, principalmente a cisterna, era perigoso eu ter ido embora”.

Mas os efeitos das mudanças climáticas que causam a degradação de solos antes férteis e mudança do clima, são decorrências da ação humana, que influencia diretamente na irregularidade de chuvas, E em 2007 em uma única chuva, o açude da propriedade não resistiu, e quebrou. Seu Argemiro observou que a chuva foi localizada praticamente dentro da propriedade, os outros açudes acima da calha não chegaram nem a sangrar. A quebra do açude causou um forte impacto na propriedade e na vida da família, pois ocorreu uma forte queda na produção em especial nos alimentos cultivados na vazante. A dinâmica na busca da água, e na alimentação dos animais também foi alterada, boa parte do tempo foi gasto nessas atividades. Seu Argemiro conseguiu recuperar o açude agora em 2008, e aos poucos o seu sistema produtivo está voltando a ser como antes.

Consciente de que o clima está mudando e os solos cada vez mais fracos por conta das queimadas,das retiradas de plantas e árvores, do uso de veneno e outros, Seu Argemiro desenvolve práticas de combate a desertificação e mudanças do clima, tais como: preservação da mata, cultivos de veneno, cultivo de vasante, não pratica queimadas e conserva as plantas nativas . “...antes os invernos duravam de dezembro a maio do ano seguinte e era suficiente para produzir bastante feijão, milho e criar pasto para os animais, hoje chove tudo de uma só vez”.

A família de Dona Eremita e Seu Argemiro tiram os sustentos dos roçados consorciados de milho, feijão, sorgo, algodão, estilosantes, melancia, e da criação de bovinos. Soma-se ainda a criação de abelhas, galinhas e os plantios na vazante do açude. A família desenvolveu um jeito interessante no manejo dos roçados, a área que foi plantada só volta a ser cultivada depois de 3 anos de descanso. Além disso, eles não usam mais veneno na propriedade. Assim seu Argemiro acredita que sempre manterá sua propriedade produzindo satisfatoriamente. A família ainda tem o hábito de estocar alimentos para os animais, fazendo a silagem e guardando as sementes para o próximo plantio e os grãos necessários para sua alimentação.

Dona Eremita participa em boa parte das atividades. Ela cuida da casa, faz os queijos, trabalha na vazante, ajuda a carregar água e dar  alimentos para os animais. Já Seu Argemiro é responsável pela lida com os animais, pelo trabalho na roça, pelo abastecimento da água, para todas essas atividade ele ainda conta com a ajuda de seu Filho Wanderlei que também é responsável pelo manejo do apiário.

 

Endereço: Av. Engenheiro Camacho, 475 - Renascença
Ouricuri - Pernambuco - Brasil CEP 56200-000
Tel/Fax: (87) 3874-1258 E-mail:
comunicacao@caatinga.org.br