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Protegendo a terra, colhendo frutos e garantindo o alimento da família

 O desmatamento e as queimadas contribuem para deixar as terras descobertas, fracas e pouco produtivas provocando a desertificação. Mesmo assim famílias do Sertão do Araripe trabalham de forma diferenciada, protegendo a terra, e cuidando do Meio Ambiente. Elas avaliam que essas práticas de combate à desertificação e as mudanças climáticas estão melhorando a terra e fortalecendo o solo.

É o que está acontecendo com a família de Expedito e Cleonice que são casados há mais de 30 anos, têm sete filhos e moram no povoado do Vidéu a 42 quilômetros de Ouricuri. A terra onde trabalham tem 22 hectares. São seis tarefas de roçado e algumas áreas pequenas de pasto, o restante é coberto com capoeira e mata. Ele cria abelhas nativas em 15 cortiços espalhados pela propriedade e no quintal de sua casa, no povoado do Vidéu ele mantém cinco colônias de abelhas nativas.

Desta forma presta um serviço de grande valor para o Meio Ambiente que é a conservação de espécies de abelhas nativas ameaçadas de extinção e a polinização de plantas nativas preservando a caatinga. Além de prestar este serviço ambiental suas abelhas nativas geram renda e alimentos para a família.

Expedito e sua esposa Cleonice participam de reuniões e capacitações promovidas pelo Caatinga, onde são debatidos assuntos sobre crédito Agroecológico, plantios, criação de animais, entre outros. Ele faz parte da Associação dos moradores e agricultores do povoado do Vidéu e sítios circunvizinhos e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ouricuri e representa a Associação no Conselho Municipal.

Com o passar do tempo, Expedito percebe que houve algumas mudanças de clima e que as dificuldades aumentaram para o povo do Sertão que encara todos os anos o problema da seca que vem se agravando, ele comenta que “o tempo tá mais quente do que antes e não dá mais para saber como vai ser o ‘inverno’”.

Mas apesar desses problemas, ele avalia que sua terra está melhorando por causa das técnicas que usa para proteger o solo. Essa proteção é feita com uns leirões que separam a terra em “quadras” de cultivo de milho, feijão, amendoim, batata-doce, sorgo e capim. Os leirões impedem a erosão e guardam mais água na terra formando parcelas de produção com mais molhado e com solo bom, que permitem o cultivo por um tempo maior durante o ano sem precisar derrubar mais a caatinga.

Essa idéia dos leirões nasceu a partir da observação de Expedito de que a água que cai escorre e vai embora. “A terra precisa estar molhada e bem cuidada para produzir melhor”. “Eu sinto que a terra não tem diferença do ser humano. Quanto mais ajudamos, mais ela dá bons frutos, bons resultados”. Expedito avalia que tem que aperfeiçoar as técnicas de proteção do solo e de retenção de água nas parcelas de produção. Ele planeja fazer uma adubação das parcelas com esterco de curral para melhorar ainda mais a terra de cultivo.

A situação de água não é das melhores. Só possuem um barreiro de onde tiram a água para todos os usos na casa e para os bichos beberem. Já a água de beber vem de uma cisterna de vizinho. Os sete filhos do casal não moram mais com eles. Foram todos embora em busca de uma melhor qualidade de vida. Expedito e Cleonice afirmam que “quando os pais não têm condições de manter os filhos em casa, vê eles saírem e não podem fazer nada”. O casal não consegue esconder a emoção ao falar dos filhos distantes. Entre lágrimas Cleonice não descarta a possibilidade de juntar todos novamente.

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