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Relações de gênero: equilíbrio na família e no Meio Ambiente

Iracema e João Batista, o João do Roque, moram no Sítio Saco Verde em Trindade, com seus dois filhos, Anderson e Angélica. Quando moravam na cidade João foi vendedor de bijuterias. Em 1995 ele migrou para os perímetros irrigados do Rio São Francisco, em busca de condições para casar, mas retornou em menos de um ano, desiludido. Há dois anos mudaram definitivamente para o sítio, na busca de melhor ambiente para viver e produzir. Sua filha tinha problemas respiratórios graves e hoje está praticamente curada.

Nos últimos anos o tempo está mais quente. O sol queima as folhas de fruteiras e as chuvas estão cada vez mais descontroladas, estragam o solo e não mantém a terra molhada durante todo o período de cultivo. A gente percebe um grande descontrole no clima, especialmente do ano 2.000 para cá”, afirma João. O desmatamento e as queimadas causam aumento na temperatura e favorecem a erosão e o esgotamento do solo. Os venenos também prejudicam o solo e a vida de muitos seres que ajudam no equilíbrio da natureza. O manejo inadequado, os monocultivos, aração profunda e o superpastoreio causam desertificação.

Com a utilização de práticas agroecológicas, a família obteve muitos resultados como os cultivos diversificados, a criação de abelhas e galinhas caipiras, que garantem a alimentação e gera renda para a família. O plantio de árvores nativas e exóticas ajuda a conter a erosão e manter a água na terra. O solo da propriedade está bem melhor e a diversidade de plantas e animais aumentou consideravelmente. O impacto na vida de João e Iracema com a mudança para o sistema agroecológico ajudou-os a melhorarem de vida e hoje conseguem viver com dignidade em pleno Sertão do Araripe.  João investiu na construção de um poço e um cacimbão que fornece água para a caixa elevada, que abastece a casa e o sistema de micro-irrigação em pomar. Mas a água de beber ainda vem de um pequeno açude comunitário próximo da propriedade, pois ainda não tem cisterna.

As conquistas da família tem proporcionado mais saúde, reconhecimento social e bem estar, e o mais importante é que João e Iracema Já conseguem influenciar outras famílias a mudar o sistema de vida. O casal afirma que “é um dever do ser humano dividir, ensinar e aprender juntos”.

As relações de gênero e geração nesta família, são bem equilibradas. “Sempre foi assim, as tarefas são sempre divididas, quase não precisamos pagar mão-de-obra”. A família é bastante articulada e participa dos processos sociais e políticos locais. Com forte atuação em conselhos, fóruns, associações, sindicato de trabalhadores rurais, grupos de mulheres e de teatro. Têm conseguido apoio das ONG’s Caatinga e Chapada. É uma família bastante engajada em movimentos, capacitações e participação em eventos diversos, o que proporciona-lhes informação – visão de conjuntura, aspectos sociais, ambientais, econômicos e de gestão.

Segundo eles, a escola e o conhecimento são elementos importantes na vida do ser humano, “a escola tira as pessoas da ignorância, ajuda a conhecer outras pessoas e o mundo”. As crianças dizem que os assuntos mais discutidos e que lhes chamam mais a atenção na escola são: meio ambiente, natureza, desertificação e saúde.

Num futuro breve, pretendem investir na venda de produtos agroecológicos e beneficiamento de frutas na cidade. Seu filho Andreson  diz que quer aprender a cuidar mais das abelhas, para ter sua própria criação no futuro e, ainda, dar cursos para outras pessoas, seguindo o exemplo dos pais.

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