Vivendo sob o sol forte do Sertão nordestino, um grupo de jovens faz a diferença e ajuda as famílias a viver com mais dignidade. São jovens moradores do Assentamento Frei Damião, localizado a 23km do município de Santa Cruz, no Sertão do Araripe, eles têm a oportunidade de trabalhar na terra produzindo com respeito a natureza e conquistando vida digna para os moradores dessa comunidade.
Ao chegarem nesta Comunidade há cinco anos, as 12 famílias que permanecem até hoje comentam: “Quando aqui chegamos tudo era muito difícil. A gente bebia água de carro pipa quando os políticos achavam por bem abastecer”. Dos 310 ha conquistados pelas famílias, cerca de 50 ha destinam-se à produção e criação coletiva de animais, sendo cerca de 70% da área, coberta de caatinga e capoeira.
Graças ao grupo “Esperança Jovem” formado por 17 jovens filhos das famílias que vivem no Assentamento, e ao apoio de técnicos do Caatinga, através do Projeto Dom Helder Camara, as experiências agroecológicas são baseadas em ações de quintais produtivos feitos nos fundos de suas casas com uma diversidade de frutíferas, plantas medicinais, leguminosas entre outras. A horta com 50 metros quadrados, próxima a barragem comunitária; vêm dando certo.
Camila Barros e Francisco Felipe são membros do grupo e afirmam que o clima mudou em função dos desmatamentos e queimadas. “Um exemplo disso são os invernos descontrolados e a perca de boa parte dos legumes por causa da alta temperatura e do ataques das pragas. Muitas vezes ficamos sem trabalhar a tarde por causa da quentura do sol.” Como conseqüência disso, segundo eles desapareceram da região muitos animais e plantas que por ali existia como veado, onça e tatu. Plantas como angico, aroeira hoje são mais difíceis de encontrar, assim como a seriema que há 10 anos atrás cantava indicando que ia chover, hoje, é desconhecida pelas crianças. O que significa um sinal evidente do descontrole da ação humana que influencia nas mudanças climáticas.
Desde que chegaram ao Assentamento Frei Damião as famílias nunca tentaram migrar em busca de melhores condições de vida, segundo elas a terra para trabalhar e a moradia foram os principais motivos da permanência no lugar.As famílias produzem milho, feijão, sorgo, criam galinha de capoeira e vendem também os ovos. Os quintais produtivos e as hortaliças correspondem a 30% da produção. Nos quintais e nas hortas os jovens e os pais fazem uso do fermentado biológico, cobertura morta e esterco de animais, o que indica a reponsabilidade e o cuidado com o Meio Ambiente. A preocupação com a questão de desertificação é permanente entre os membros dessa comunidade, por isso mesmo não fazem mais desmatamentos e queimadas. A ocorrência de erosão no Assentamento é pouco, segundo Francisco Felipe.
As principais fontes de água são da barragem comunitária, que serve para laborar, cozinhar, aguar os quintais produtivos e dar para a criação de animais. A estocagem de água é feita em caixas de cinco mil litros, em tambores e na cisterna comunitária. As famílias, em tempo de estiagem, reduzem e distribuem melhor o uso de água, nas atividades de maior consumo. Nos quintais produtivos, passam a aguar uma vez por semana ou todos os dias com menor quantidade de água, permanecendo prioridade a necessidade humana e a criação de animais. E assim segue as famílias depositando na agroecologia a esperança de um futuro melhor com mais saúde, renda e dignidade.
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