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Um grande desafio: o resgate da biodiversidade a partir de ações comunitárias

    

 Na comunidade do Sítio Baixa, a dois quilômetros da sede do município de Trindade, Pernambuco, surgiu em 1996 um Grupo de Jovens com a finalidade de promover eventos religiosos e esportivos. Hoje, seu maior desafio é proteger a natureza no lugar em que vivem. São 14 jovens com idade entre nove e 22 anos, sendo sete homens e sete mulheres. O Sítio Baixas abriga cerca de 40 famílias que vivem de sub-empregos nas indústrias de gesso, de aposentadorias; da bolsa família e da produção agropecuária.

Em 2005 o Grupo participou de uma palestra que identificou Trindade como o município mais desmatado da Região do Araripe. Após isso, o Grupo fez uma pesquisa, resgatando o conhecimento de pais e avós e recorreram às instituições de defesa do Meio Ambiente. “Fizemos a pesquisa para convencer a comunidade de que essas mudanças no clima vêm ocorrendo por causa do desmatamento, das queimadas e das 55 fábricas de gesso que queimam lenha”.

Com essas práticas de desmatamentos e queimadas o solo está cada vez mais pobre, reduzindo a produtividade e provocando a falta de alimentos. Dos 22 principais alimentos consumidos pela comunidade, somente três são produzidos lá, sete são produzidos em pequena quantidade e 12 são comprados fora.“As pragas e doenças aumentaram no feijão e nas hortaliças. Predadores naturais como o teiú, o tatu, o tamanduá se extinguiram e outros como o preá, o rato e a lagartixa estão em extinção. Onde não foi desmatado aumentou o número de cobras, e nas áreas desmatadas aumentaram as formigas”.Não acreditamos mais em sinais de chuva ou de estiagem, os animais e as plantas estão desorientados”.

Na opinião dos jovens, a solução para esses problemas estão na conscientização da população. A partir de 2006, com a assessoria técnica do Caatinga, Chapada e IPA, o Grupo vem discutindo o tema na comunidade e apoiando a introdução de tecnologias alternativas que possam contribuir para o resgate da biodiversidade. Assim, o Grupo faz uma campanha para coletar, reciclar e encaminhar o lixo para locais apropriados de onde é retirado por transporte garantido pela prefeitura. Paralelamente, os/as jovens adquirem sementes de espécies nativas, frutíferas e medicinais, produzem as mudas e distribuem para 90 famílias de três sítios do município de Trindade, orientando-lhes para fazerem cercas vivas, plantarem as espécies nativas nos roçados e frutíferas e ervas medicinais nos quintais.

No geral, o trabalho na comunidade, é dividido da seguinte forma: as mulheres ficam com a manutenção e limpeza da igreja, o trabalho na horta, no quintal, o plantio e colheita de roçados, a criação de aves e as atividades domésticas. Os homens ficam no roçado, na criação de ovinos, caprinos, suínos e bovinos. Não existe ocupação definida para jovens e idosos.

As lideranças dessa comunidade ocupam cargos relevantes em instâncias de tomadas de decisão do município e da região. Como são os casos dos jovens: Edmilson, 19 anos, Diretor da Comissão Municipal de Jovens Agricultores e Clécia Pereira, membro do Grupo de Jovens, Presidenta do Grupo de Mulheres, Secretária da Associação Comunitária, Secretária do Conselho de Desenvolvimento Rural, Catequista e Mobilizadora Social do PDHC.

Estamos diante de um grande desafio: fazer com que nossa proposta seja aceita pela comunidade, empresários e ambientalistas, desencadeando um processo de conscientização capaz de permitir o resgate da biodiversidade do nosso município e da região do Araripe”.

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