Por Lusimar Lima
Em 25 de maio, no auditório do Caatinga participaram do I Encontro dos Consórcios de Associações do Município de Ouricuri-PE, um grupo de sete consórcios municipal. O objetivo do encontro era intercambiar as experiências vivenciadas por cada Consórcio de Associações e Fortalecer o Processo de Gestão e Organização dos Consórcios, relacionando o seu papel no Controle Social das Políticas Públicas.
Para cada história contada pelos coordenadores e coordenadoras dos consórcios quanto à sobrevivência financeira das associações e a luta pelas conquistas de políticas públicas, reforça ainda mais a necessidade da organização social e a participação nos espaços de políticas para a exigibilidade dos seus direitos. A maioria das associações retrata sua história como uma escada de degraus em que a cada dia, mais um passo é dado para a construção da consciência política e social. Para Niuma Alencar, coordenadora do I consórcio de Ouricuri, as dificuldades encontradas no caminho são muitas, mas ela tem a consciência de que é necessária a organização dos povos para que políticas voltadas para o bem comum sejam de fato realizadas pelos gestores públicos. Para ela, existe ainda muita gente alienada que se vende na hora de votar, e é exatamente nesse momento o grande papel dos consórcios nos momentos de debates e discussões ampliadas.
A maioria das associações não tem sede própria e uma das estratégias feitas pelos consórcios é a venda de rifas consorciadas com o objetivo de adquirir condições financeiras para a construção das sedes. Quanto aos apoios dados as associações e consórcios do município, a maioria deles dizem que só recebem do Caatinga, tanto na questão de gestão, como na capacitação para a organização jurídica. No projeto da União Européia houve uma demanda bastante representativa nesse campo em que várias associações se organizaram e se empoderaram, entendendo melhor o seu verdadeiro papel na sociedade. O evento contou também com a participação de João Rafael, delegado do MDA, onde foram feitas importantes provocações, uma delas foi sobre a importância dos consórcios como uma estratégia distrital no desenvolvimento de políticas. Para ele, essa representatividade nos municípios é importante, mas é preciso estar alinhado nos discursos e defesas. Os consórcios precisam discutir “até briga de vizinhos”, pois é nesse espaço de discussão que se extrai e também se respalda sobre as exigências de direitos que são levados para os Conselhos Municipais, como seguro safra, pronaf, política garantia safra, PAA, PNAE e tantos outros. Essa é a grande importância dos consórcios junto aos conselhos municipais. Mas os espaços de discussões não são apenas nos Conselhos, a Câmara de Vereadores também é um espaço em que é possível e deve ser usado para fins de discussões como, por exemplo: transporte do meio rural, comercialização dos produtos da agricultura familiar, cooperativas de crédito, e muitas outras.
O trabalho de conscientização eleitoral é um dos pontos mais importantes a serem debatidos . As pessoas ali presentes reconhecem que a compra do voto é a grande arma dos políticos. Para Paulo Pedro, coordenador do Caatinga, a força da sociedade organizada é muito maior do que se imagina. As grandes conquistas, como por exemplo a ASA (Articulação do semiárido) é uma conquista da sociedade civil. Um exemplo marcante que temos na Região do Araripe é a vitória da vereadora de Granito que surgiu através dos grupos de jovens e movimentos sociais, e não pelas mãos de empresários. Outra grande conquista recente é o projeto ficha limpa que foi uma luta que partiu da sociedade civil. "É preciso haver uma grande rede no sentido de que o voto não tem preço, mas tem conseqüência", diz Paulo pedro.
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