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Onda de ajuda vinda do Sertão

 

Tragédia da enchente que devastou municípios em Pernambuco e Alagoas mobiliza espírito solidário dos moradores da região do Araripe

Flávio Adriano flavioadriano.pe@dabr.com.br

Link: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/07/15/interior1_0.asp 

 

Ouricuri - A dor de não ter o que comer. A sensação de impotência. Seu Luiz Anacleto, 52 anos, conhece o sofrimento de perto. Algo que não deseja pra ninguém "neste mundo de meu Deus".


Donativos estão sendo organizados por uma comissão da 9ª Geres e do 7º BPM.

Foto: Flávio Adriano /DP/D.A Press.

http://www.diariodepernambuco.com.br/imagens/2010/07/14/INTERIOR1_1.jpg O agricultor, que nasceu em Campina Grande, na Paraíba, mas que se mudou com a família para Ipubi, a 662km do Recife, quando tinha apenas 3 anos de idade, já comeu o "pão que o diabo amassou" por causa da seca. Seca esta que castigou pra valer, deixando um verdadeiro "mar de gente" completamente desamparado. Sem esperança. Mas o tempo passou... Os olhos agora se voltam para as vítimas dos temporais que castigaram a Mata Sul de Pernambuco e algumas cidades alagoanas. Como bom sertanejo, Seu Luiz Anacleto e tantos outros da região do Araripe ficaram sensibilizados com o que viram na TV. Passaram então a arrecadar mantimentos em prol dos desabrigados e desalojados das chuvas. "Aqui, quando um não tinha o que comer, um vizinho trazia nem que fosse só farinha"Luiz Anacleto - Parnamirim, Moreilândia, Santa Cruz e Santa Filomena) entraram de cabeça nesta agricultorOs papéis se inverteram, mas o espírito solidário continua o mesmo. Ao todo, moradores, e membros de sindicatos, igrejas, rádios, clubes de serviços, organizações não-governamentais, movimentos sociais e as secretarias de Ação Social de 11 municípios do Araripe (Araripina, Ouricuri, Trindade, Ipubi, Bodocó, Exu, Granito, ação. A vontade de ajudar era enorme, mas faltava um planejamento estratégico para que os mantimentos chegassem de forma organizada aos seus destinos. E esse planejamento foi feito.Integrantes do Caatinga, ONG com sede em Ouricuri, a 620km do Recife, formaram uma comissão com a 9ª Geres e o 7º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Nascia a "Campanha Araripe Solidário". Ficou acertado que cada uma das 11 prefeituras deveria enviar o que fosse arrecadado para a sede do 7º BPM, que também fica em Ouricuri. Depois, tudo seria transportado para o destino final. Na semana passada, já foram enviadas 5 toneladas de mantimentos, entre roupas, alimentos, água e materiais de limpeza. Mais 10 toneladas deverão "viajar" só nesta semana. "O sertanejo já sofreu muito na vida. Justamente por isso, ficou sensibilizado com essa tragédia. A gente sabe que a situação lá (Mata Sul e Alagoas) é pior porque até os vizinhos perderam tudo. Aqui, quando um não tinha o que comer, um vizinho chegava junto nem que fosse com um pouco de farinha. Então, temos a obrigação de ajudar e dar esperança a essas pessoas", disse emocionado Seu Anacleto, que hoje trabalha como tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipubi. Segundo o coordenador do Programa de Políticas Públicas do Caatinga, Reginaldo Alves, os organizadores da campanha esperam aumentar em 50% o que já foi arrecadado até agora. "Vamos priorizar os alimentos, a água e os produtos de limpeza até o próximo domingo. A partir daí, iremos focar nos recursos financeiros para que sejam adquiridos materiais de construção. As cidades precisam ser reconstruídas. Para haver uma maior transparência, a conta bancária que vamos pedir ajuda é a do Tribunal de Contas do Estado", justificou, acrescentando que, no próximo dia 22, uma reunião será realizada na sede do Caatinga para avaliar os rumos da campanha. "Quem quiser ajudar é só procurar um dos nossos pontos espalhados pelo Araripe (ver quadro). Até porque o espírito solidário está acima de qualquer coisa". E o Sertão já virou mar - Natural do Recife, mas morando no Araripe há quase dez anos, o tenente Barros, da Polícia Militar de Pernambuco, lembra que, por ironia do destino, fortes chuvas também já castigaram a população do semiárido. "Na primeira metade desta década, Ouricuri ficou debaixo d'água. Nós aqui também sabemos o que é viver esse drama. Como eu faço parte do Lions Club, uma entidade de ajuda internacional, e a Polícia Militar está presente em todos os lugares, não poderíamos ficar de fora da Araripe Solidário", declarou o coordenador da campanha no 7º BPM. Enquanto isso, o povo sertanejo segue mostrando que para ajudar alguém não basta dinheiro, e sim ter respeito à vida e esperança de dias melhores.

 

Onde doar

Ouricuri-

7º BPM- CDL- Igreja Adventista do 7º Dia- Igreja Católica- IX Geres- Pastoral da Pessoa Idosa- Rádio Cultura- Rádio Liberal - Rádio Voluntários- Secretaria de Ação Social- SINDSEP

 

Granito

Escolas Estaduais e Municipais da Sede-

Igreja Adventista do 7º Dia- Igreja Assembléia de Deus- Paróquia- Programa Mãe Coruja- Rádio- Secretaria de Ação Social- Secretaria de Educação- Sindicato dos Trabalhadores RuraisSanta Cruz- Paróquia- Secretaria de Assistência Social - Sindicato dos Trabalhadores Rurais

 

Araripina

 

Chapada- GRE-Sertão do Araripe- Paróquia - Sistema de Comunicação Grande Serra

 

Ipubi

 

Paróquia, Rádio Liberal, Secretaria de Assistência Social, Sindicato dos Trabalhadores Rurais

Trindade

Paróquia- Pastoral da Criança- Rádio Pop Sindicato dos Trabalhadores Rurais

 

Bodocó

Paróquia 

 

Exu-

CRAS- Secretaria de Ação Social

 

Moreilândia-

Paróquia

 

Parnamirim

Paróquia, Sindicato dos Trabalhadores Rurais

 

Santa Filomena- Paróquia- Sindicato dos Trabalhadores Rurais 

 

 

Organização para superar problemas

link: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/07/15/interior1_1.asp 

 

 

Apesar da ajuda às vítimas das chuvas, a preocupação com os problemas do semiárido não diminuiu. Como não há condições de se acabar com a seca, a saída, por parte de ONGs e poder público, foi fazer com que o sertanejo aprendesse a conviver com tudo aquilo que o castigou durante toda a vida. E é justamente aí que entra o Caatinga, uma entidade sem fins lucrativos que trabalha há mais de 21 anos com a agricultura familiar. Fazendo parte do grupo da Articulação do Semiárido (ASA) desde 1999, o Caatinga vem desenvolvendo projetos em dez municípios do Sertão do Araripe, em parceria com os governos federal e estadual e com organizações internacionais. Um dos mais importantes é o P1MC, que visa a construção de 1 milhão de cisternas para consumo humano em toda a região do semiárido do país. "Já foram construídas no Brasil um total de 300 mil e cada uma delas tem uma vida útil de 50 anos. Há também o projeto P1+2, administrado no estado pela ONG Chapada, de Araripina, que também tem o objetivo de construir cisternas, mas só que apenas para a produção. Isso sem contar com os poços costruídos pelo Pró-rural", explicou a coordenadora do P1MC em Pernambuco, Geangela Lucena. O Caatinga sempre procura mostrar ao produtor a importância da preservação ambiental. E isso acontece desde cedo. Um dos exemplos é o projeto "Educação contextualizada nas escolas rurais". "As crianças já aprendem como trabalhar a terra de maneira sustentável, sem agrotóxicos. Essa experiência aconteceu na Escola Rural de Ouricuri. Já o que é produzido pelos adultos vem sendo vendido em feiras agroecológicas", garantiu a assessora de comunicação do Caatinga, Lusimar Lima. 

Endereço: Av. Engenheiro Camacho, 475 - Renascença
Ouricuri - Pernambuco - Brasil CEP 56200-000
Tel/Fax: (87) 3874-1258 E-mail: comunicacao@caatinga.org.br