|
Por Ednalva Nunes
O Estágio de Vivência em Agricultura Familiar Camponesa é uma estratégia construída numa parceria entre CAATINGA, Diaconia, Centro Sabiá e a Universidade Federal Rural de Pernambuco, que promove um espaço de produção de conhecimentos entre futuros profissionais através do diálogo e troca de experiências, junto às Famílias Agricultoras, numa perspectiva de formação de profissionais que assimilem a agricultura familiar como meio de desenvolvimento sustentável no campo. Para o V Estágio de Vivência em Agricultura Familiar Camponesa, realizado de 14 de julho a 01 de agosto de 2008, foram pensados três momentos distintos: O primeiro momento de palestras leituras, trabalhos em grupos e discussões sobre os processos históricos da agricultura familiar e camponesa, e da construção da agroecologia no Brasil, no Nordeste e em Pernambuco. O segundo momento, foi o de vivência nas propriedades das famílias agricultoras, nas áreas de atuação do Caatinga, Diaconia e Sabiá, juntamente com as ações do PDHC (projeto Dom Helder Camara). E o terceiro momento foi de socialização das experiências vividas pelo grupo junto às famílias agricultoras. Neste estágio foram envolvidos 22 alunos e alunas de Escolas e Universidades dos Territórios da Zona da Mata Sul, Agreste Setentrional, Agreste Meridional, Sertão do Pajeú e Sertão do Araripe, em Pernambuco, do Território da Borborema no Estado da Paraíba e o Território do Açu-Mossoró do Rio Grande do Norte. A vivência nas propriedades das famílias agricultoras foi considerada pela equipe de estudantes, como o momento mais reflexivo em relação ao processo de construção de conhecimento e reconhecimento da importância do papel da Agricultura Familiar na promoção do desenvolvimento do campo de forma sustentável. Para a equipe, o estágio de vivência proporcionou um elevado nível de consciência, capacidade de reflexão e crítica, entre outros aspectos positivos, tendo em vista que o mesmo tem caráter humanístico, social, cultural, colocando o futuro profissional frente as reais dificuldades enfrentadas pelas famílias agricultoras, bem como suas experiências de vida, mostrando até que ponto o processo de modernização da agricultura favoreceu para as crescentes diferenças sociais, econômicas e ambientais. O depoimento de Tereza Cristina Engenharia Florestal. Cursando Licenciatura em Ciências Agrícolas pela UFRPE expressa bem esse momento. “O estágio foi uma experiência única, onde pude acompanhar a rotina de uma família agricultora que reside na Agrovila Nova Esperança em Ouricuri PE. A família é composta por 4 pessoas: Adão (pai), Fabiana (mãe), a pequena Fernanda (filha) e Fernando (filho) que, com quatro anos de idade, já entende sobre a importância de preservar a natureza. Durante o tempo que estive com a família, observei que existe entre eles uma consciência ecológica em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito ao desperdício. Nada naquela casa é jogado fora, tudo é repensado, reutilizado e reciclado, nem as cinzas do fogão à lenha são jogadas fora. Essa pode ser aproveitada para receitas de remédios naturais na cura de animais. Pude entender melhor seus hábitos alimentares, que através de um cardápio variado e simples, suprem as necessidades básicas de proteínas, estas retiradas da própria unidade produtiva. O casal, além das atividades produtivas da propriedade, divide as tarefas domésticas e referentes à educação dos filhos. Durante o estágio, verifiquei o papel fundamental que o Caatinga desenvolve nessa comunidade ao transmitir a importância da produção de base ecológica, através de técnicas de manejo empregadas, capacitações e intercâmbios”.
|