Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da juventude rural e as condições de permanência no campo, o Projeto “Juventude Rural Construindo Agroecologia no Semiárido brasileiro” vem desenvolvendo ações que potencializam o protagonismo infanto-juvenil rural construindo uma proposta de desenvolvimento local sustentável em quatro regiões dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte.
E apostando nessa juventude, as ONGs Caatinga, Diaconia e Sabiá, com o apoio da organização alemã Kindernothilfe (KNH), se uniram no desafio de investir nos jovens agricultores. O projeto experimental teve duração de oito meses e contou com a participação de 60 jovens nas regiões do Agreste e Sertão de Pernambuco, além do Sertão do Rio Grande do Norte envolvendo diretamente, cerca de 500 famílias nas atividades de mobilização, intercâmbios, encontros de formação em agroecologia, implantação de viveiros de mudas bem como a aplicação de um diagnóstico comunitário da realidade da juventude rural destas microrregiões.
Segundo dados do diagnóstico, mais de 50% das famílias da zona rural é formada por jovens e a maioria desses jovens, em torno de 72%, mora com os pais. Os dados revelaram que cerca de 70% deles declararam não ter renda suficiente para suprir suas necessidades básicas. Apenas 29% tiram sua renda da agricultura familiar. Dado este que revela uma realidade preocupante da juventude rural, sendo uma das causas do êxodo rural, além da falta de perspectivas de melhoria da realidade de vida no campo. Os principais problemas apontados pela juventude foram a dificuldade de acesso à saúde e ao saneamento básico, e o acesso à água de qualidade e educação. Mais de 80% dos jovens apontaram a falta de emprego e geração de renda como o maior dos problemas enfrentados pela juventude, como condição fundamental para se manterem na zona rural. Uma das atividades de integração e organização da juventude foi a implantação de 12 viveiros de mudas com produção total de 2.400 espécie de plantas forrageiras, nativas e frutíferas, que serão distribuídas nas comunidades envolvidas, como forma de trabalhar a conscientização ecológica. Para o jovem Cacildo Mendonça, da Comunidade Vertente do Lério, Agreste de Pernambuco “a conscientização da juventude com relação ao meio ambiente e culturas diversificadas discutidas durante esse projeto foi muito importante. O projeto proporcionou a integração entre os/as jovens de comunidades diferentes”. Segundo Fagner Delmondes, da Comunidade Lagoa do Pau Ferro, município de Ouricuri localizado no Sertão do Araripe (PE) “esse projeto veio estimular nosso grupo a se organizar novamente.Depois das atividades realizadas estamos com mais ânimo para nos encontrar”.
Para Carmo Fuchs, um dos facilitadores do projeto, “dá pra afirmar, seguramente, que foram os/as jovens que realizaram o diagnóstico. Eles e elas correram atrás. Isso evidencia a grande ação desse projeto”. O projeto experimental teve como produto final a construção coletiva de um projeto maior para ser realizado em cinco anos, que será apresentado à organização parceira alemã Kindernothilfe (KNH) em parceria com o Caatinga, Centro Sabiá e Diaconia.
|