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Agricultura familiar e cisterna de placas. A força que nunca seca

Por: Geangela Lucena e Alberto Filho

 

A família de dona Nilza, 46 anos, e Seu João, 59 anos, mora na Fazenda Alegre a 18 km de Santa Cruz, Sertão do Araripe. Reside com eles, o seu filho, Laécio Farias e sua esposa, Irisneide Maria. A família foi beneficiada em Fevereiro de 2009 com a cisterna de placas do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido (P1MC), uma parceria da ASA com a Associação Nóbrega de Educação e Assistência Social (ANEAS). Participam das reuniões e dos cursos de Gerenciamento de Recursos Hídricos, Cidadania e Convivência com o Semiárido (GRH). Antes, todos moravam na comunidade Abrobeira, também, no município de Santa Cruz, mas enfrentavam a problemática da falta de água, até para beber, e por este motivo, em 1994 se mudaram para o Sítio Baixo, na Fazenda Alegre.
Hoje, a família conta com dois barreiros em sua propriedade, onde vem desenvolvendo diversas atividades como criação de ovinos, galinhas, porcos, pequena criação de gado e um plantio de hortas, onde produzem coentro, alface, cebola, alho e pimenta. Tudo é produzido sem o uso de venenos, pois, acreditam na utilização da receita natural para combater as pragas. A receita foi repassada para a família em um dos cursos realizados pelo Caatinga. O esterco do curral dos animais é usado nos canteiros e seu João conta que as sementes usadas no plantio ele guarda de um ano para o outro, o que faz dele uma pessoa sábia. Todos dizem que todos os dias aprendem mais nos cursos e na participação em eventos promovidos pelo Caatinga, pois foram nesses espaços que aprenderam coisas importante a exemplo de como cuidar da cisterna “Foi a melhor coisa que inventaram, antes a gente bebia água suja dos barreiros e depois, com a chegada da cisterna, bebemos água limpa, foi a melhor coisa do mundo. Esse ano muita gente da comunidade adoeceu de gripe, diarréia e a gente ficou livre” relata Dona Nilza.
A produção de hortaliças vem contribuindo com a renda da família que comercializa seus produltos nos verdurões, na cidade de Santa Cruz. Além da produção do milho e feijão, a família também produz arroz para o seu consumo. Dos alimentos consumidos, poucos são comprados de fora. O estoque de sementes, a produção de hortaliças e sequeiro, a criação de pequenos animais, são algumas das práticas desenvolvidas pela familia de Seu João e Dona Nilza. Mas acima de tudo eles são exemplos de perseverança e força de vontade, características naturais das famílias sertanejas. Essa família comprova com seus atos e atitudes que quando há vontade política, o Sertão deixa de ser um castigo para viver, e se transforma em um céu de esperança. O investimento em estruturas hídricas adequadas ao semiárido é um importante passo para o desenvolvimento da região e conquista da cidadania. “Antes quando não plantava nada, a vida era bem mais dificil. Hoje, com os barreiros e a cisterna que ganhei, além da verdura temos o leite dos animais que ajuda muito na alimentaço da família.”

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