Ouricuri, 03 de março de 2010
Por Giovanne xenofonte
A história da comunidade Agrovila é um marco histórico na vida das pessoas que acreditaram que com luta, perseverança e conhecimento é possível viver com dignidade em terras secas do semiárido. A história dessa gente se traduz em aspectos políticos em que a força do povo unida é a certeza da vitória.
Há 23 anos, as famílias da Agrovila foram destituídas das suas terras para a construção da barragem dos Algodões, uma história parecida com os dias atuais, onde as grandes obras são tidas como metas de crescimento e desenvolvimento. Naquela época a barragem dos algodões também era esperança de redenção para o povo que tinha sede. Mas as famílias que foram banidas de lá se organizaram em outro lugar, o que hoje é a Agrovila Nova esperança, e acreditaram que poderiam viver bem em outro pedaço de chão. E com o passar dos dias muitas conquistas foram feitas e a comunidade organizada por mulheres e homens sertanejos que acreditam na força da natureza e que a terra dá o sustento para quem cuida dela, hoje, proclama 23 anos de pura emoção e conquistas. A barragem dos Algodões até hoje não é utilizada como deveria, suas água se encontram presas beneficiando pouca gente no município, até mesmo pessoas que moram próximo a barragem, continuam com dificuldades de abastecimento. Como é sabido, as águas dos Algodões cobriram as terras do povo da Agrovila, e se não fosse sua capacidade de mobilização e resistência não teria recebido outras terras.A vinda para a Agrovila Nova Esperança causou estranheza na região, pois essas pessoas tiveram que lutar contra os coronéis, grandes máquinas, grandes empreiteiras e por fim, como poderiam sair de onde vai ter água para uma terra seca? Na verdade, a Agrovila resolveu trilhar por outra lógica de desenvolvimento, baseada na convivência com o semiarido e na produção agroecológica de alimentos. Hoje, a Agrovila tem suas casas abastecidas com água de cisterna para o consumo humano, os animais se abastecem no açude e nos barreiros da comunidade, não se usa agrotóxico, o lixo tem destino certo e as queimadas foram reduzidas drasticamente, e ainda segundo relatos dos moradores, os solos, principalmente aqueles em volta da vila estão melhores.
A Agrovila ainda padece de deficiências básicas, falta saneamento, precisa de mais obas hídricas, falta emprego, principalmente, para os jovens. A terra já não é mais suficiente para as os moradores existentes. Mas, numa análise realista política e social, a Agrovila Nova esperança é uma comunidade que venceu os obstáculos e hoje é uma área habitável e sustentável, talvez uma das comunidades mais sustentáveis da região, graças ao seu povo que a credita na agroecologia e no desenvolvimento sustentável da vida.
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