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Realizou-se nos dias 06 e 07 de outubro de 2007, na sede rural do CAATINGA, Lagoa do Urubu – Ouricuri/PE, a segunda oficina de Sementes do sertão. Participaram, desse evento 21 pessoas, sendo 12 homens e 08 mulheres, residentes das comunidades rurais dos municípios de Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena, Trindade, Granito, Exu e Araripina. Entre essas pessoas estavam, agricultores, APAs, representantes do MPA, e técnicos do CAATINGA.Foi realizada a 2ª Oficina sobre Sementes do Sertão.
Durante a oficina ocorreram várias apresentações e relatos, onde vale apenas destacar a experiência de Seu Luis Pereira: Cultivos e conservação de sementes crioulas: Seu Luis é um agricultor camponês que mora no município de Araripina, onde explica que planta de tudo um pouco e tudo misturado, junto na mesma roça. Fala que o camponês deve evitar a dependência, diminuir os gastos com o roçado, para isso basta aproveitar melhor as coisas existentes na sua propriedade. Segundo seu Luis os vizinhos se admiram como ele consegue produzir mesmo em anos de poucas chuvas, ou quando ocorre ataque de pragas nas roças dos vizinhos e na dele não, e quando ocorre, mesmo assim algumas plantas conseguem suportar e produzem. Ele vem guardando suas sementes já há muito tempo, para ele, elas são um patrimônio que seus avós o deixaram e que pretende também deixar para seus filhos e netos e garante também que elas nunca viram veneno nem adubo químico. “O melhor de tudo é que minha família se alimenta bem, com produtos saudáveis, que sabemos da onde vem...”. diz seu Luiz.
Segundo o depoimento de Dona Benigna, Algumas comunidades estão valorizando mais as sementes tradicionais das famílias. Em algumas comunidades já existe um banco de semente, guardando sementes sem veneno, que as próprias famílias já cultivam há bastante tempo. O trabalho com sementes passa também pelo fortalecimento das organizações comunitárias, e a criação de bancos de sementes comunitários pode ser uma importante estratégia na conservação das sementes nativas, mas para isso as comunidades e suas organizações devem estar conscientes da necessidade da criação do banco de sementes.
“Aos poucos a gente sentava nas associações, foi trocando idéias e conhecendo bem gente viu que tava se matando aos poucos, nós mesmo, com nossas próprias mãos. E a gente acha que as sementes ela é vida, é a nossa resistência e se nós não tiver uma boa qualidade e não aprender como usar ela, nós estamos se matando, indo para o cemitério e não sabe como”. Dona Benigna - Agricultora de Santa Filomena.
Vilmar Luiz Lermem – Técnico agricultor/Presidente de Associação em Exu diz que o resgate por exemplo, dos milhos, dos feijões, da mandioca, da macaxeira, do bode, da galinha de capoeira, dos méis tanto das abelhas nativas , quanto africanizadas fazem parte de todo o patrimônio que tem que estar a serviço da humanidade, que a semente não pode ser compreendida como algo que você guarde dentro de uma garrafa, mas a maniva da macaxeira é uma semente, nós somos sementes, um animal que você tem de uma raça que resiste a seca e que convive com o semi-árido ao longo dos tempos, e é uma semente que garante a preservação e manutenção da vida.
Seu Luiz com bela explanação Nos expõe suas experiências Daquilo que ele faz E Que pode ser grande potência
Vilmar, agora ta trazendo Um assunto importante São as sementes crioulas Desse sertão exuberante
Sou filho desse sertão Quero poder ajudar Divulgando esse trabalho E a família estruturar
Tudo agora tem veneno Pra saúde só faz mal Vamos consumir orgânicos Evitando cemitérios ou hospital
A vida com os orgânicos Tem maior durabilidade E s tivermos essa consciência Retardaremos a mortalidade
Talvez hoje sejamos poucos A tentar essa mudança Mais devagarzinho estaremos Deixando grande herança
Obrigado aqui a todos Pela sua atenção Quando voltar pra casa Leva a semente no coração.
José Filho Granito 07/10/07.
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