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Programa de Desenvolvimento Sócio Econômico

O PDSE (Programa de Desenvolvimento Sócio Econômico) configura suas ações a partir do imenso acúmulo conseguido pela instituição nos quase 20 anos de intervenção junto às famílias agriculturas do Araripe. Para atingir o seu objetivo foram traçados para o programa as seguintes linhas estratégicas (eixos estratégicos), apresentados a seguir:

1 – Segurança Alimentar e Nutricional
A garantia da segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras do semi-árido sempre foi um dos grandes desafios enfrentados pelo CAATINGA. Em todas as suas experiências de produção Agroecológica, busca-se sempre uma produção de alimentos saudáveis para as famílias. Porém garantir que as famílias tenham realmente acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais, conforme diz o Art 3º da lei de Segurança alimentar, requer ações além do campo produtivo. Portanto o programa pensou as seguintes ações estratégicas:

  • Fortalecer e implementar novos sistemas familiares de produção Agroecológica;
  • Dialogar com as políticas públicas tendo como referência os resultados e ensinamentos adquiridos nas experiências desenvolvidas junto às famílias;
  • Discutir junto a essas famílias os hábitos alimentares, noções de higiene na preparação de alimentos, envolvendo agentes de saúde, Agentes Promotores de Agroecologia – APA´s e outros atores sociais que trabalham com esta temática;
  • Participar ativamente dos espaços de discussão do tema, como grupo de trabalho de SAN da ANA – Articulação Nacional de Agroecologia e Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar – FBSAN;
  • Articular organizações, redes e espaços na região do Araripe para discutir o tema da Segurança Alimentar.
2 – Produção Agroecológica
A base referencial de intervenção do CAATINGA é a família e sua comunidade. A partir do referencial familiar – comunidade é que serão implementadas as ações de produção Agroecológica. Compreendendo que a agroecologia é a ciência que pode desenvolver a agricultura familiar no semi-árido, viabilizando uma produção mais saudável, preservando o meio ambiente, melhorando a relação entre as pessoas, e que esse conhecimento é construído coletivamente na interação dos saberes (saber técnico + saber das famílias agricultoras), é que o programa escolheu, ações de formação como visitas de intercâmbios, onde os agricultores e agricultoras conhecem outras experiências, trocam informações, sementes, etc. A implementação de tecnologias mediadoras, é feita de forma participativa com as famílias, planejando previamente toda a ação e monitorando os impactos da mesma em todo o sistema produtivo familiar.

A fim de irradiar esses conhecimentos para outras famílias, as experiências serão sistematizadas em folhetos, cartilhas, vídeos e divulgadas em matérias de jornais, programa de rádio, Internet (site do CAATINGA) e outros meios de comunicação. Essas famílias estarão sendo convidados a participarem de programas radiofônico, televisivos, a participarem de feiras regionais, eventos públicos como seminários, conferências, encontros, onde estarão apresentando as suas experiências.

3 – Acesso a Mercado Agroecológico
O PDSE assume o desafio de promover a comercialização dos produtos agroecológicos de uma forma também Agroecológica. Isso pressupõe desenvolver entre as famílias produtoras e as consumidoras uma relação de mercado mais justa, transparente e equilibrada. A idéia é estreitar os vínculos expondo para os consumidos não só os produtos, e sim toda a lógica produtiva e organizativa que eles estão adotando. De forma mais concreta essa linha de ação tem seu foco no fortalecimento do Empório Kaeteh, através do empório pretende-se discutir e desenvolver uma referencia em comercialização coletiva. Também foca na ampliação das feiras agroecológicas. A dinâmica das feiras regionais é fonte inspiradora, pois são nelas em que as famílias se encontram, compram, vendem, se divertem e trocam conhecimentos. Dessa forma as feiras constituem em um ótimo espaço para as famílias que estão trabalhando de forma Agroecológica, comercializar os seus produtos, expor as suas lógicas produtivas, organizativas.

O programa tem também a pretensão de mediar a comercialização dos produtos da agricultura familiar para as compras institucionais / governamentais, através de programas como o de compra antecipada dos alimentos – PAA, da CONAB, inserindo assim essas famílias em programas governamentais que tradicionalmente foram excluídas.

4 – Acesso a água
O programa tem a missão de junto com as famílias pensar, desenvolver e implantar tecnologias que assegurem para as mesmas águas para o seu consumo e produção. A idéia é viabilizar através de programas como o P1+2 – Programa uma Terra e duas águas, pensado e desenvolvido pela ASA, agencias financiadoras, crédito oficial e não oficial, recursos para implantação de obras hídricas como barragem subterrânea, barreiro trincheira lonado, sistemas de micro irrigação, poços rasos de aluviões, caixa elevadas, cisternas calçadão e tanques de pedras. A implantação dessas tecnologias será feita de forma participativa envolvendo as famílias desde o planejamento da obra até sua implementação, onde será refletido com as mesmas idéias de convivência com o semi-árido, o direito de acesso à água e as políticas de desenvolvimento e convivência com o semi-árido. Com base nessas experiências serão realizadas campanhas sobre tecnologias viáveis para o semi-árido, orientando sobre o uso adequado e racional da água.
 
5 – Crédito oficial e não oficial
A ação de crédito partirá da experiência que o CAATINGA já vem desenvolvendo com as famílias, hoje consolidada na dinâmica da carteira de Crédito Agroecológico e Solidario. A idéia é que as associações que estão envolvidas no trabalho com crédito possam estar discutindo também nas suas comunidades e nos espaços de políticas publicas que participam o aprimoramento das linhas de crédito oficial, bem como buscando um maior controle social desse crédito. O objetivo é ter na região um instrumento de crédito solidário consolidado que possa ajudar na transição Agroecológica dos sistemas familiares de produção. Para isso estão prevista ações que consolidem a gestão da carteira através das suas instancias decisórios como comitê gestor e conselho deliberativo. Tais como assembléias, reuniões, encontros, intercâmbios a outras experiências de fundos solidários. Esta prevista também uma maior aproximação com a ECOSOL Araripe, a fim de discutir ações conjuntas que possam fortalecer as duas experiências.  

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