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21/08/2012

Uma Agrofloresta em Pleno Semiárido

publicado por

 

A experiência da família de Adão de Jesus Oliveira

 

Aos 32 anos de idade, Adão Jesus de Oliveira prova que é possível conviver de forma digna e sustentável com o semiárido, e tirar da caatinga o alimento e o sustento da família. Na comunidade Agrovila Nova Esperança, localizada no município de Ouricuri (PE), Adão junto com sua esposa, Fabiana Oliveira e os dois filhos, mantém um Sistema Agroflorestal (SAF). Implantado há mais de três anos, o SAF garante alimento e renda para a família, lenha e carvão para o consumo doméstico, aliado a práticas de preservação e recuperação da agrobiodiversidade no seu agroecossistema.

“Resolvi implantar uma agrofloresta porque a vegetação da região já está bastante prejudicada. Então posso mostrar que é possível produzir conservando a caatinga”, destaca Adão que junto com a família tem consciência do importante papel que exerce na preservação do meio ambiente, e na conscientização de outras famílias.

Além da agrofloresta, nos 8,5 hectares de terra em que trabalha com sua família, Adão também cria caprinos, suínos e galinhas. Planta em roçados, consorciando milho, feijão, sorgo, melancia e algodão. Cria abelhas e cultiva uma horta agroecológica que abastece a família. O excedente é comercializado na comunidade onde mora.

Estocagem de alimentos

Dentro dessa lógica de observação da natureza, a família percebeu que para conviver com o semiárido é preciso estocar, já que no período chuvoso, que é bem curto no semiárido, há bastante forragem, água e alimentos. Neste sentido, Adão, compreendendo a realidade climática e ambiental da região, vem montando várias estratégias para conviver, com dignidade.

Em termos de estoques, ele produz silo de milho, sorgo e outras plantas cultivadas e nativas; produz feno da palha do feijão, palha do milho e de capins nativos e cultivados. Guarda ainda, o milho e o sorgo em grãos, que durante a seca são triturados e fornecidos aos animais, junto com o silo e o feno. Essa prática permitiu que a família aumentasse o seu criatório e diminuísse a mortalidade dos animais.

Hoje eles contam com uma cisterna de 16 mil litros para consumo doméstico, adquirida por meio do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e outra de 52 mil litros conseguida através do Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2) para irrigação das fruteiras e hortaliças da agrofloresta, ambas as ações provenientes da Articulação do Semi-Árido Brasileiro (ASA) com o apoio do Caatinga.

A experiência da família de Adão e Fabiana é referência na região. Eles recebem permanentemente, visitas de intercâmbio de outras famílias e comunidades, de escolas, entidades e movimentos sociais, inclusive vindos de outros estados, e mostram que manejando a terra de forma ecológica, e respeitando os limites da natureza é possível promover um mundo melhor e saudável para todas as pessoas.