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Agricultura familiar

15/08/2017

Jovens do Araripe participaram de ato em Recife alusivo ao dia da juventude.

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Dia 11 de Agosto (Sexta feira), foi marcada por um grande ato na capital Pernambucana, organizado pelo Fojupe (Fórum de Juventudes de Pernambuco), a data antecede o dia 12, intitulado Dia Internacional da Juventude criado, originalmente, através da resolução 54/120, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, como consequência da Conferência Mundial dos Ministros Responsáveis pelos Jovens, em Lisboa, Portugal. No Brasil, desde 2002, o dia 12 de Agosto também é dia Nacional da Juventude.

O ato contou com a participação de aproximadamente, 1500 Jovens de todo o estado de Pernambuco, que se reuniram na Praça 13 de Maio, no centro do Recife, com destino à Avenida Conde da Boa Vista. A atividade teve concentração às 15h, contou com várias apresentações culturais  e trouxe como principais pautas: o combate às reformas do governo Michel Temer; a luta contra o extermínio da juventude negra, contra o feminicídio e à homofobia; a agroecologia; a territorialidade e a mobilidade dos jovens.

O Fórum de Juventude do Araripe participou do ato, com 27 representantes, dos municípios de Santa Filomena, Santa Cruz, Araripina e Ouricuri. Com muito entusiasmo e animação, a juventude araripiana percorreu mais de 600 KM, para participar da mobilização. “A juventude aderiu a mobilização, mesmo sabendo que não tínhamos recursos para custear despesas como alimentação, hospedagem, entendo todos os desafios, inclusive Jovens que nunca tinham ido a Recife, mas nos desafiamos  por saber da importância da mobilização na construção de um mundo melhor” Conta Esmária Rodrigues, do Fórum de juventude do Araripe.

Em breve o Fórum fará uma reunião com todos/as que o compõe e planejará ações territoriais, de enfrentamento as negações de direitos e retrocessos impostos a nível estadual e federal.


27/06/2017

Por que não é viável criar bois no Semiárido?

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A criação animal é uma das atividades humanas que faz parte da história dos povos do Semiárido. Cabras, ovelhas e bodes – animais de pequeno porte – estão na base da convivência das famílias camponesas com a região. Na cultura popular, são as figuras do vaqueiro e do boi que permeiam das artes às festividades do sertanejo e da sertaneja. Também estão nos noticiários e nos documentários que, por vezes descontextualizados, constroem uma realidade que coloca nas estiagens a culpa pelas carcaças de boi espalhadas pelo sertão. “É a seca.” Será mesmo?

Por que não é viável criar bois no Semiárido?

“A região do nosso Semiárido é característica pelas chuvas menores que a evapotranspiração – então você tem um déficit hídrico e boa parte do ano vai estar seco. A pecuária é mais adequada quando ela vive do pasto nativo”, é o que afirma José Moacir dos Santos, presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea) da Bahia pelo Irpaa, organização da qual é Coordenador do Eixo Produção Agropecuária e Extrativismo. Para Moacir, diante de um cenário geral, os animais de pequeno porte podem viver de pasto nativo, não necessitando de lavoura cultivada ou de ração comprada. A realidade da criação, importante acrescentar, é de uma lotação de unidades animais acima do que o pasto nativo comporta. Há mais animais do que um hectare do Semiárido pode oferecer. Num cenário de seca, as famílias agricultoras que possuem criação de pequeno porte estarão mais bem adaptadas e os animais não sofrerão tanto com a falta de alimentação que gera as conhecidas imagens de carcaças tão difundidas pela mídia ao abordar as estiagens. Isso também evita a compra de alimentação como o farelo de soja. Produzido em larga escala através do uso de agrotóxicos em plantações transgênicas, a ração a base desse farelo põe em risco a qualidade dos produtos como carne e leite, a saúde da agricultora e do agricultor e a expansão dessas monoculturas devastadoras sobre os biomas da região.

A criação de bois e vacas precisa de uma grande quantidade de água e terra com pasto para ser viável; diferente da pecuária baseada na criação de pequeno porte, como a de cabras, bodes e ovelhas. De acordo com a cartilha produzida pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – Irpaa para criação de cabras “a quantidade e qualidade do pasto [necessário para a criação] depende das condições de solo, quantidade de chuva e tratos culturais. Cada região tem seu potencial produtivo diferenciado.” Se consideramos uma quantidade próxima de consumo de pasto entre os dois tipos de criação, ainda segundo a entidade, uma vaca consome o mesmo que 8 cabras – que, por sua vez, produzem mais leite e têm mais crias durante o ano.
O Semiárido brasileiro tem animais nativos de pequeno porte, diferente de outras regiões no mundo. A região e seu pasto nativo, que é formado pela vegetação da Caatinga e do Cerrado, naturalmente, não suportam a criação de animais de grande porte, principalmente nas épocas do ano em que essa vegetação não é verde e não oferece alimentação adequada. Embora haja áreas bem irrigadas e que poderiam suprir a demanda por mais pasto, elas só correspondem a 3% do Semiárido e estão em sua maioria ocupadas pelos modelos do agronegócio.

Mas essa não é a única questão. “O boi, vive em regiões que têm capim, como há em grandes quantidades nas savanas da África. A Caatinga não oferece naturalmente esse capim. Inicialmente, na ocupação dessas terras, o vaqueiro botava fogo na vegetação. Havia além do objetivo de queimar os cactos para o boi comer, a necessidade de criar pastos com capim… E assim o boi foi degradando a Caatinga ao longo do tempo”, diz Moacir quando acrescenta que os animais de grande porte trazem para a Caatinga o problema do desmatamento e, por conseguinte, da desertificação.

Tem a mesma opinião Francisco de Assis Batista, que é diretor da Associação Cristã de Base – ACB, no Crato/CE, e também criador de caprinos na Chapada do Araripe. “Pra gado tem que desmatar. Nós começamos estudando os sistemas agroflorestais – isso foi o que nos incentivou e nos mostrou, quando a gente avalia nossa vegetação, que ela não comporta o animal de grande porte. Nossa Caatinga é mais fechada, é mais tortuosa [do que as savanas africanas]. Não dá para um touro ficar passando por ela. Teria que abrir [desmatar] pra ele passar.”

Seu Batista, como é conhecido, cria caprinos e percebeu desde o início que sua propriedade, localizada na parte de cima da chapada, não oferece água ou pasto suficiente para a criação de animais de grande porte. Além disso, o manejo deles precisa de mais pessoas, trabalhadores muitas vezes contratados, o que não é uma realidade das famílias agricultoras. “A cabra é um animal mais rústico, que come até folhas secas. É mais fácil de cuidar. Você pode soltar e ele se alimenta do que a Caatinga tem. É uma criação de capoeira.”

Para Francisca Gomes de Souza, conhecida como Betânia, agricultora do Sítio Samambaia, na região de Araripina/PE, a criação de gado enfrenta problemas tanto por causa do manejo mais dedicado quanto por causa da escassez de pasto e água. Ela e seu esposo, Seu Severino, possuem oito cabeças de gado, grupo que já foi maior, mas que não resistiu às estiagens dos seis últimos anos. A família usa o estrume gerado pelos bois e vacas para a horta onde cultivam a produção vendida na Feira Agroecológica de Araripina. A água do local vem de uma cisterna de 52 mil litros e de um poço. É a água usada tanto para irrigação da horta quanto para a criação animal – que também inclui cabras e ovelhas. Embora a manutenção dos bois e vacas tenha a ver com a adubação da roça (o que evita a compra de adubo de terceiros), Betânia não tem dúvida quando perguntada sobre qual rebanho é mais fácil manter. “Nós criamos animais há muito tempo e daí já dá uma noção do que dá mais trabalho. A cabra, sem dúvidas, é melhor criar pois come menos e dá menos trabalho. O gado talvez seria uma poupança se não houvesse perda por causa da seca. Nós criamos o gado solto. Não é todo mundo que tem pasto e se não tem chuva não tem pasto.”

Seu João Simão dos Santos, agricultor do Sítio Jenipapo (próximo ao Crato/CE), tem um pensamento que também converge nesse sentido. Homem de poucas palavras e de uma simpatia acolhedora, ele tem mais de 70 galinhas, 10 porcos e 8 ovelhas. Ele não cria bois e vacas. “Onde a cabra passa uma semana se alimentando, o boi só passa um dia.” Ele planejou o rebanho pensando no tamanho da sua propriedade e na quantidade de água que tem disponível. No entanto, as estiagens dos últimos anos também trouxeram situações de dificuldade para o agricultor. Emocionado, ele contou que em alguns momentos foi muito difícil por falta de pasto suficiente. O ganho continua pouco, mas Seu João não desiste do manejo de animais. “Gosto de vê-los bonitos!”

“Agronegocinho” – José Moacir e Seu Batista apontaram uma terceira questão sobre a cultura do gado no Semiárido. “Imprime-se uma ideia de poder”, diz Seu Batista. “Existe uma ideia de agronegocinho”, nota Moacir. As duas falas vão ao mesmo sentido: um movimento contrário às lutas camponesas e à agricultura familiar de base agroecológica. Por vezes, as relações de poder estabelecidas influenciam na ideia de que ter e manter o gado coloca o agricultor ou agricultora em um outro lugar e isso pode acabar afastando ou enfraquecendo a própria ideia de agricultura familiar. Quando os rebanhos de ovinos e caprinos diminuem nas estiagens é porque são muitas vezes vendidos para gerar recurso para comprar ração, como a de farelo de soja do agronegócio, para alimentar somente por alguns meses os bois e as vacas. É preciso repensar a viabilidade desse manejo no Semiárido.
Texto: Hugo de Lima – Asacom Foto: comunicação Irpaa

 


26/06/2017

Forrozeiros fortalecem a Campanha: #Devolva Nosso São João

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A fogueira ta queimando, em homenagem a São João, o forró já começou, vamos gente, rapa-pé nesse salão( Música: São João na roça. Luiz Gonzaga)

Os tradicionais festejos juninos, tem como origem famílias que se reuniam em volta da fogueira para comemorar as festividades ocorridas no mês de junho, homenageando santos da igreja católica (Santo Antonio, São João e São Pedro), com o passar do tempo se tornou uma festa conhecida em todo o Brasil, caracterizada pelas quadrilhas juninas, comidas típicas, e o tradicional forró, feito com sanfona, zabumba e triangulo. Esse conjunto de conhecimentos, sabedorias e sabores Traduzem os sentimentos de devoção, gratidão pela colheita realizada, resistência e animação características do povo nordestino.

Imagem da internet

Nos últimos anos, as festas juninas promovidas, pelas gestões publicas, trazem cada vez menos, a presença de sanfoneiros nas programações, especialmente nas grandes cidades do nordeste, como Caruaru em Pernambuco e Campina Grande na Paraíba.

Em protesto a essa posição das gestões publicas, sanfoneiros dos diversos lugares do nordeste lançaram, nas redes sociais a campanha: #Devolva nosso São João, que denuncia a descaracterização do São João nas programações dos festejos públicos.

A campanha encabeçada pelos músicos Joquinha Gonzaga ( sobrinho de Luiz Gonzaga) e Chambinho do Acordeon, (intérprete do Rei do Baião no filme Gonzaga: De pai pra filho), ganhou a adesão de vários forrozeiros em todo o nordeste. O manifesto político – cultural, é uma forma de chamar atenção dos governantes, e principalmente da população para a invasão de ritmos e músicos de outras regiões do País, que conseguem através de grandes empresas de entretenimento adentrar nas programações juninas em diversos municípios, desrespeitando a tradição local.

No sertão do Araripe Pernambucano, região onde esta localizada a Exu, cidade do eterno rei do baião Luiz Gonzaga, a situação não é diferente, mesmo os festejos sendo menores, e estando tão próximo da cidade do Gonzagão, as programações juninas dos municípios, conta com pouquíssimos  sanfoneiros, ganhando espaço ritmos como sertanejo, funk, forró estilizado e pisadinha.

Os forrozeiros dessa região também aderiram à campanha, além de Joquinha Gonzaga, os forrozeiros e compositores Elmo Oliveira, Flávio Leandro aderiram a campanha como forma de luta para manter viva o legado do Gonzagão, e oportunizar a juventude conhece -lo “ O forrozeiro perde por que deixa de ganhar, perdoe – me, a redundância, a população perde por que deixa de reafirmar sua identidade cultural, agora a perda maior é da juventude por que não tendo seu cordão umbilical ligado a nossas raízes acaba achando que está tudo certo” Diz Elmo Oliveira, ao falar das perdas em decorrência do esquecimento dos forrozeiros nas programações juninas.

Entre as frases divulgadas pelos artistas ganharam força nas redes sociais: “Devolvam o nosso São João”, “São João é do Nordeste” e “São João só é grande quando tem forró”.


29/05/2017

Aula diferente na Escola Rural Ouricuri.

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Aconteceu na última sexta feira (26), na escola rural Ouricuri, localizada no sitio Lagoa do Urubu/ Ouricuri/ PE, uma aula diferente que reuniu o saber teórico e prático.

A Escola Rural Ouricuri, fundada pela ONG Caatinga e a comunidade do sitio Lagoa do urubu e sítios vizinhos, como uma proposta de educação contextualizada, para a convivência com o semiárido, trabalhando conteúdo a partir da realidade dos educandos e educandas. Hoje conta com mais de 400 alunos/as, de várias comunidades, atualmente a escola funciona nos horários de manhã e tarde com turmas de pré-escolar ao 9º ano.

Passados alguns anos de fundação, a escola foi assumida pelo município de Ouricuri, mas a proposta pedagógica de uma educação que considere o lugar, a cultura, os costumes e construa possibilidades de convivência com o semiárido, foi mantida.

A parceria com o Caatinga, através de formações com educadores/as, participação em eventos, distribuição de publicações institucionais, construção de cisterna, através do programa cisternas nas escolas, pela ASA/BR, financiado pelo governo federal, diversas atividades realizadas através do projeto criança e comunidade, que o Caatinga executa em parceria com ActionAid Brasil.

Nesta sexta feira (26), aconteceu mais um momento de construção de conhecimento com educandos/as, educadores/as, técnicos/as, com discussões sobre os direitos e deveres das crianças e adolescentes, utilizando o teatro de fantoche, a construção de hortas suspensas, construção de canteiros, coleta de sementes e produção de mudas. A ideia é reativar a horta da escola, e que os produtos sejam utilizados na alimentação escolar.

A equipe gestora da escola, os/as educandos/as, avaliaram como bastante proveitoso e afirmaram a necessidade de realizar outros momentos como esse. “ A gente espera contar com o Caatinga, para nos ajudar a continuar com essas práticas e discussões na escola”. Diz Ana Paula, gestora da escola.

 


28/04/2017

Ouricuri adere a Greve Geral

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Na manhã, desta sexta feira, as principais ruas de Ouricuri, no sertão do Araripe Pernambucano, foram tomadas por centenas de manifestantes, que aderiram a agenda de luta nacional, Greve Geral, em todo o Brasil, contra as reformas da previdência e reforma Trabalhista.

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O Sindicato dos Servidores públicos de Ouricuri (SINDSEP), Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ouricuri, Federação dos Trabalhadores de Pernambuco (FETAPE), junto com Fórum de Mulheres do Araripe, Grupo de Mulheres Jurema,Sindicato dos Servidores da Saúde (SINDSAÚDE), Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência ( SIDSPREV), Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEP), Movimento Sem Terra (MST),  Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), e organizações de Base e de Apoio a agricultura familiar, além de Organizações dos municípios de Santa Cruz e Trindade realizaram, neste dia 28 de Abril, um ato de rua, repudiando as Reformas da Previdência e trabalhista, que visam tirar direitos de trabalhadores/as.

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O ato teve início na Praça, Padre Francisco Pedro da Silva, Praça da prefeitura, e seguiu pela feira livre de Ouricuri, até o semáforo central da cidade. O trânsito parou durante 20 minutos,  várias pessoas fizeram falas, repudiando as reformas, que prejudicará trabalhadores/as, atingindo mais fortemente, os que possuem menores condições financeiras, mulheres, jovens, comunidades tradicionais e agricultores/as familiares serão bastante afetados/as. Os manifestantes seguiram em caminhada até agência da Previdência social, do município, onde o ato foi encerrado.

Para Analberga Lino, do SINDSEP, esse foi um movimento muito importante para toda a classe trabalhadora.            “ Precisamos cada vez mais, ir as ruas dizer não a esse desmonte dos direitos, que atingirá fortemente a classe trabalhadora” Afirmou a professora.

A avaliação por parte da organização do evento, é muito positiva, estima -se que participaram mais de 3.000 pessoas, o que mostra forte adesão da população, ao movimento,  envolvendo diversos seguimentos: Saúde, educação, agricultura familiar, sindicalistas, movimentos sociais, movimentos de mulheres, jovens urbanos e rurais.

Ainda nesta manhã, no sertão do Araripe, aconteceram atos de ruas, nos municípios de Bodocó, com estimativa de participação de 2.000 pessoas, e nos municípios de Exu e Araripina, a tarde será realizado, em Santa Filomena . Além de vários outros municípios do Brasil.

 


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