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Cisterna

13/09/2017

Diante de representantes de 300 nações, ASA recebe o “Oscar das políticas públicas”

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          Por ASACOM

“Numa cerimônia bonita, rica, pomposa, com mais de 500 pessoas, a experiência da ASA acaba de ser premiada como política para o futuro e como experiência exitosa de combate à desertificação com o segundo lugar mundial”, anuncia Naidison Quintella, da coordenação nacional da ASA pelo estado da Bahia, após o recebimento do prêmio Política para o Futuro (Future Policy Award, em nome original), em Ordos, na China, na manhã de hoje no horário do Brasil.

A premiação reconheceu a política pública Programa Cisternas, construída entre a sociedade civil, representada pela ASA, e os governos do Brasil, passando pelas gestões de Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, como uma das mais eficazes medidas mundiais para se combater a desertificação do solo e suas graves consequências sociais. O governo brasileiro foi representado pelo Chefe do Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Marcelo Böhlke.

O prêmio, considerado o “Oscar internacional para as melhores políticas”, homenageia leis e práticas que combatem com sucesso a desertificação e a degradação da terra e é concedido pelo World Future Council (WFC), em cooperação com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). Além do Brasil, iniciativas da Etiópia e China também estão entre as laureadas.

A semente desta política brasileira premiada hoje nasceu no evento paralelo da COP 3, há 18 anos, no Recife

Para Naidison, a premiação de hoje, concedida diante de representantes de 300 ministros e convidados de alto nível de nações em todo mundo, “significa um reconhecimento imenso. Isso significa que a ASA não pode abrir mão de seu projeto de convivência com o Semiárido, não pode abrir de trabalhar com os mais pobres, não pode abrir mão de construir com os agricultores e agricultoras, com os marginalizados, a convivência com o Semiárido. É isso que trago hoje no meu coração. É isso que aquela multidão que nos aplaudiu nos diz que nossa ação é digna de nota, nos diz que nossa ação é bonita, nos diz que nossa é boa e que nós devemos continuar a luta.”

A cerimônia de premiação foi realizada durante um evento que o governo chinês fez para o alto comissionado da UNCCD. A China sedia a 13ª sessão Conferência das Partes da UNCCD (COP 13) até o dia 16 deste mês.

Há 18 anos, no evento paralelo à terceira edição da COP, realizada no Recife, organizações que atuavam na região Semiárida lançaram a Declaração do Semiárido Brasileiro, considerada um marco para a fundação da ASA e para a ruptura com o paradigma do combate à seca.

“A Declaração aponta medidas estruturantes para o desenvolvimento sustentável da região, pauta um conjunto de medidas políticas e práticas de convivência com o Semiárido e, nesse contexto, propõe a formulação de um programa para construir um milhão de cisternas no Semiárido Brasileiro”, diz o site da ASA. É justamente o Programa Um Milhão de Cisternas, cuja construção foi iniciada há dez edições da COP, a semente que permitiu a construção do Programa Cisternas.

Sobre a premiação – A 10ª edição do Prêmio Política para o Futuro objetiva chamar mais atenção para a desertificação e formas efetivas de combatê-la. Segundo o texto oficial de divulgação, “no século passado, as secas custaram mais vidas do que qualquer outra catástrofe relacionada com o clima. As mudanças climáticas intensificam o processo de desertificação. As ações para combater a desertificação, portanto, não só contribuem para proteger o meio ambiente, mas também podem proporcionar estabilidade social e política.”


22/08/2017

Programa Cisternas ganha prêmio como uma das políticas públicas mais relevantes no combate à desertificação

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Por Asacom

Foto: Vladia Lima / Arquivo Asacom

O Programa Cisternas, uma política pública de acesso à água que possibilita às famílias rurais do Semiárido brasileiro viver na região, foi considerada a segunda iniciativa mais importante do mundo no combate à desertificação. O reconhecimento vem do Prêmio Política para o Futuro 2017, o único que homenageia políticas em vez de pessoas a nível internacional. A divulgação do Prêmio Prata para a política brasileira foi anunciada hoje (22). A cerimônia de entrega da premiação será em 11 de setembro, durante a 13º Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas, em Ordos, na China.

O prêmio, uma iniciativa do World Future Council que, este ano, teve a parceria da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), atesta a efetividade das ações de convivência com o Semiárido como uma política pública com potencial para reverter a degradação do solo, que impossibilita a produção de alimentos, abandono das regiões afetadas pela sua população, fome e miséria. A desertificação afeta 58% da área do Semiárido, onde vivem 11,8% brasileiros e brasileiras, muitos deles em situação de pobreza ou extrema pobreza.

Característica marcante e diferenciada do Programa Cisternas é ter nascido no seio das experiências da sociedade civil, proposta como política pública de convivência com a região pelas organizações atuantes no Semiárido através da Articulação Semiárido (ASA) e assumida pelas gestões de Fernando Henrique, Lula, Dilma e, atualmente, Michel Temer, tornando-se, na prática, uma política de Estado.

Valquíria Lima, da coordenação executiva da ASA pelo estado de Minas Gerais, destaca que o Programa Cisternas é resultado de uma solução encontrada pelas próprias famílias rurais do Semiárido para terem água. Essa solução foi potencializada pelas organizações de apoio à agricultura familiar que atuam no Semiárido e formam a ASA.

“Um dos grandes méritos da sociedade civil foi construir uma organização política e administrativa para executar esta política pública, comprovando que a sociedade civil organizada além de propor, mobilizar, pode executar políticas públicas adequadas. No nosso processo metodológico, as famílias são protagonistas. Elas se envolvem no processo de mobilização da comunidade, na construção da tecnologia, nos processos formativos”, afirma Valquíria.

Para ela, a transparência e eficiência que a ASA gerenciou os recursos públicos também contribuem para que o Programa Cisternas seja referência mundial. “A ASA criou toda uma estrutura para fazer a gestão de forma muito transparente e isso também surtiu um efeito positivo. Foi através da transparência, com nosso sistema integrado de gastos, com nossas tecnologias todas georreferenciadas, que comprovamos, de fato, que os recursos chegam na base. E isso nos respaldou para executar, ao longo destes anos, um orçamento significativo para a sociedade civil de mais de R$ 2 bilhões”.

A parceria entre Estado e sociedade civil foi um dos elementos determinantes para essa avaliação da política pública brasileira, como atesta o texto de divulgação da premiação: “Graças a um movimento social, o Brasil introduziu o Programa Cisternas para apoiar a meta de instalação de um milhão de cisternas de coleta de água da chuva para uso doméstico de milhões de pessoas que residem em áreas rurais no Semiárido. O objetivo da instalação de um milhão de cisternas foi alcançado em 2014. Também há 250 mil tecnologias de água produtiva e milhares de cisternas construídas para escolas. Agora, muito menos pessoas deixam a região devido à seca e, apesar de, desde 2012, a região ter experimentado uma das piores secas já registradas, relatórios indicam que não há incidência dos piores efeitos da seca – mortalidade infantil, fome, migração em massa – que costumava ser generalizada no Semiárido”.

Vidas transformadas – No Sertão do Araripe, em Pernambuco, a história de seu Luiz Pereira Caldas, 58 anos, e a esposa Nilza de Oliveira Caldas, 60, é emblemática quanto ao movimento inverso de migração que passou a ocorrer na região depois das políticas públicas de convivência com o Semiárido. Após duas décadas em São Paulo, eles voltaram para sua cidade natal, no município de Granito. Um dos principais motivos do retorno foram as condições favoráveis à prática da agricultura trazidas com a instalação do barreiro-trincheira na propriedade de sua mãe. Este tipo de barreiro é escavado no solo para acumular, no mínimo, 500 mil litros de água da chuva. Por ser estreito e fundo, o espelho d´água em contato com a ação do vento e do sol é pequeno, o que diminui a evaporação do líquido.

Ao chegar no sítio Venceslau onde cresceu, seu Luiz e dona Nilza passaram a plantar, próximo ao barreiro, feijão, andu, maracujá, acerola, tomate, jerimum, abóbora, banana e macaxeira. Logo depois, seu Luiz aprendeu a construir cisternas em cursos oferecidos pelas organizações que fazem parte da ASA para ampliar a renda familiar. Em 2015, a família conquistou mais uma tecnologia de convivência com o Semiárido: a cisterna-calçadão, que também guarda água da chuva, geralmente, utilizada para o quintal produtivo sobretudo para aguar hortaliças, um tipo de cultivo que pede muita água e precisa ser protegida do sol forte.

Com a água e manejo adequado do solo, as famílias agricultoras plantam de tudo, inclusive, a produzir mudas de plantas nativas dos biomas para sua preservação dos biomas. A da Caatinga e do Cerrado, biomas que ocorrem na região semiárida, e que estão são bastante degradados pelas ações do homem para criação de gado, expansão de monocultivos e extração de madeira.

“Quando comprei esse pedaço de terra não tinha nenhuma árvore plantada. Nem uma vara pra fazer um espeto pra assar um pedaço de carne, então eu plantei umburana, sabiá, catingueira, craibera e outras árvores. No meio delas planto palma e hoje coloco minhas colmeias”, conta o agricultor Francisco de Assis da Silva, popular Preguinho, da comunidade São Luiz, do município de Maravilha, em Alagoas. Ele tem alcançado bons resultados ao trabalhar com a agroecologia, como a reversão da infertilidade do solo. Essa prática tem contribuído para produção mesmo em épocas de estiagem.

O agricultor pratica técnicas de uso sustentável do solo como cobertura morta, defensivos naturais, período de pousio, rotação de culturas, diversidade produtiva entre outras. “Se eu usasse veneno contaminava a terra, os alimentos, minha saúde e as abelhas não iriam produzir mel de qualidade”. Além do cultivo de espécies nativas, forragem e hortaliças, Seu Francisco também cria aves, ovinos e desenvolve a atividade de apicultura.

Desertificação – Segundo a UNCCD, as terras secas cobrem 40% da superfície da Terra, onde ocorrem os climas árido, semiárido e subúmido seco da Terra. Evidências do processo de desertificação estão presentes em quase todas as partes do Semiárido e, em alguns locais, são tão marcantes que foram rotuladas de núcleos de desertificação: Seridó (RN/ PB), Cariris Velhos (PB), Inhamuns (CE), Gilbués (PI), Sertão Central (PE), Sertão do São Francisco (BA).


29/05/2017

Aula diferente na Escola Rural Ouricuri.

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Aconteceu na última sexta feira (26), na escola rural Ouricuri, localizada no sitio Lagoa do Urubu/ Ouricuri/ PE, uma aula diferente que reuniu o saber teórico e prático.

A Escola Rural Ouricuri, fundada pela ONG Caatinga e a comunidade do sitio Lagoa do urubu e sítios vizinhos, como uma proposta de educação contextualizada, para a convivência com o semiárido, trabalhando conteúdo a partir da realidade dos educandos e educandas. Hoje conta com mais de 400 alunos/as, de várias comunidades, atualmente a escola funciona nos horários de manhã e tarde com turmas de pré-escolar ao 9º ano.

Passados alguns anos de fundação, a escola foi assumida pelo município de Ouricuri, mas a proposta pedagógica de uma educação que considere o lugar, a cultura, os costumes e construa possibilidades de convivência com o semiárido, foi mantida.

A parceria com o Caatinga, através de formações com educadores/as, participação em eventos, distribuição de publicações institucionais, construção de cisterna, através do programa cisternas nas escolas, pela ASA/BR, financiado pelo governo federal, diversas atividades realizadas através do projeto criança e comunidade, que o Caatinga executa em parceria com ActionAid Brasil.

Nesta sexta feira (26), aconteceu mais um momento de construção de conhecimento com educandos/as, educadores/as, técnicos/as, com discussões sobre os direitos e deveres das crianças e adolescentes, utilizando o teatro de fantoche, a construção de hortas suspensas, construção de canteiros, coleta de sementes e produção de mudas. A ideia é reativar a horta da escola, e que os produtos sejam utilizados na alimentação escolar.

A equipe gestora da escola, os/as educandos/as, avaliaram como bastante proveitoso e afirmaram a necessidade de realizar outros momentos como esse. “ A gente espera contar com o Caatinga, para nos ajudar a continuar com essas práticas e discussões na escola”. Diz Ana Paula, gestora da escola.

 


22/03/2017

Manifesto: Água é Direito de Todas/os

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manifesto da ASA CORRIGIDO COM DATA


10/10/2016

Mesa de diálogo marca o início do Encontro Estadual da ASA/PE

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Por Lidiane Santos / Comunicadora da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2
É com o tema “Caminhada de resistência e construção da convivência: ‘…pois é arte nordestina, transformar seca em poesia’”, que a ASA Pernambuco iniciou, na última terça-feira (04), no Stella Maris, em Triunfo (PE), o Encontro Estadual, com um público de agricultores/as familiares, técnicos/as, comunicadores/as e convidados/as, que ultrapassou a marca de cem pessoas.
Do Litoral ao Sertão, o Encontro, que vai até a próxima quinta-feira (06), acolhe participantes de todos os territórios, que aproveitaram a oportunidade para apresentar vários elementos regionais, como sementes crioulas, mandacarus, artesanatos, instrumentos musicais e até a réplica de uma casa com cisterna. Músicas e poesias também incrementaram o momento de boas-vindas.
Inicialmente, o coordenador da ASA Pernambuco, Alexandre Pires, falou da alegria em receber cada participante e também sobre o cuidado que a comissão organizadora teve com a preparação do evento. “Nós fizemos o possível para comprar os alimentos às famílias agricultoras da região, que serão consumidos nesses três dias,”, disse. Em seguida, desejou um ótimo Encontro a todos e todas.
A programação do primeiro dia contou com a realização de uma mesa de abertura para analisar a atual conjuntura política do país. Antes de começar a discussão, o coordenador geral da ONG Caatinga, Giovanne Xenofonte, que foi o mediador da roda de diálogo, pediu para que alguém expressasse um pouco do sentimento em relação ao atual momento que o Brasil passa.
A quilombola Maria de Lourdes definiu o contexto como um retrocesso. “O atual presidente manchou o que chamamos de democracia. Aprendi que isso representava a vontade da maioria e, assim, fizemos, pois elegemos Dilma, mas o nosso desejo não foi respeitado. Outra coisa que me deixa triste é ver que muitos direitos, que foram conquistados por nós, estão sendo ameaçados e outros tantos já foram cortados”, explicou.  Em seguida, a mesa teve início com a participação de uma das representantes da Colegiada do CETRA, Cristina Nascimento, e do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em Pernambuco, Jaime Amorim.
Jaime explicou que o processo eleitoral vive de ciclos e que, o momento atual, trata-se da finalização de um destes períodos. “Mais do que a conclusão de uma fase eleitoral, encerra-se também um ciclo de desenvolvimento, que impacta no âmbito da economia, com o desemprego; na educação, em políticas públicas como o FIES e o PROUNI; na agricultura familiar, com os cortes de recursos para o Garantia Safra, por exemplo, e em tantos outros fatores. Daqui para frente, nós vamos viver um desmonte de direitos conquistados, algo que representa um retrocesso de 50 anos”, alertou.
Apesar disso, ele ressaltou outras coisas que merecem atenção e ação. “Não podemos ficar tristes por isso. Essa é a hora do povo ir para as ruas. Os brasileiros e brasileiras vão resistir ao golpe. Está chegando um novo ciclo político que vai depender, acima de tudo, do nosso poder de mobilização”, concluiu.
Após este momento, foi a vez de Cristina refletir sobre a postura diante desse contexto. “Precisamos ter clareza de quem somos, de onde estamos e do que queremos. Quando pensamos a partir das nossas conquistas, da ideologia dos movimentos sociais, pensamos, também, diferente da Rede Globo. Precisamos ter consciência do nosso poder enquanto cidadãos, pois o que está ameaçado não é a cisterna, mas a nossa luta por direitos”, disse.
Posteriormente, as falas dos convidados, foram abertas as inscrições para questionários e comentários dos participantes.

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