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Mulheres em ação

4/09/2017

Avanildo Duque da Silva, coordenador de projetos da ActionAid é finalista do prêmio Claúdia 2017

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Avanildo Duque da Silva
É coordenador de projetos da ActionAid, ONG que trabalha por justiça social, igualdade de gênero e fim da pobreza

“Desde o início, nossa ideia era adotar uma abordagem que levasse em consideração os direitos das mulheres”, conta Silva, que logo foi chamado pelo Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste para um encontro em que discutiriam práticas sustentáveis e gênero.

Ali, pela primeira vez, teve a chance de não apenas ouvir mas também presenciar a mulher em seu ambiente, com todas as suas necessidades e vontades. “Foi como colocar óculos. Passei a ver melhor, enxergando o mundo pela ótica feminista”, afirma.

Entre as demandas, estava a divisão do trabalho doméstico com os maridos. As agricultoras queixavam-se de estar sobrecarregadas, uma vez que várias das tarefas pesadas do campo, como transporte de água para abastecer a casa e o cuidado de animais, eram realizadas por elas também.

O agrônomo acolheu tais reivindicações quando elaborava projetos de gestão ambiental. Também passou a assessorá-las na organização do trabalho e na discussão das práticas cotidianas.

O trabalho cresceu e apareceu. Assim, Silva começou a ser chamado para colaborar com outros grupos, como o Centro das Mulheres do Cabo e a Casa da Mulher do Nordeste.

Graças a sua experiência, em 2007 se tornou coordenador de projetos da ActionAid, ONG brasileira que faz parte de uma federação internacional e trabalha por justiça social, igualdade de gênero e o fim da pobreza.

Quatro anos depois, a convite da Secretaria da Mulher de Pernambuco, contribuiu na elaboração do primeiro Plano Estadual de Políticas Públicas para Mulheres Rurais.

No ano seguinte, o agrônomo participou, ainda, da criação da Secretaria da Mulher de Recife, colaborando para estruturar o Plano de Ação Estratégica para a Cidade, projeto inspirado na campanha Cidade Segura para as Mulheres, desenvolvida pela ActionAid.

“As desigualdades da cultura patriarcal em que vivemos foram construídas com muita violência”, avalia. Não à toa, ele diz que, em qualquer trabalho que realiza, faz questão de dirigir seu foco para a desigualdade de gênero.

https://claudia.abril.com.br/indicacoes/avanildo-duque-da-silva/


21/08/2017

Mulheres do Sitio Palácio em Granito/PE, mostram resistência e resiliência

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Por Adevania Coelho/ Kátia Rejane

As mulheres do sítio Palácio, município de Grantio/PE, no 7º ano consecutivo de seca na região, mostram diversidade e qualidade em produtos da agricultura familiar: Com produção de hortaliças, derivados do leite (margarina caseira, cocada, doce de leite, leite condensado, bolos, manteiga, queijo) e artesanatos.

Foto: Adevania Coelho

Todos esses produtos são comercializados na comunidade, e nos últimos anos durante a expogranito, feira de exposição de animais, que historicamente se tornou conhecido como um lugar destinado, apenas aos homens, vem se tornando, espaço ocupado também por mulheres, representando o trabalho de várias famílias agricultoras.

Foto: Adevania Coelho

“Nós tivemos a oportunidade de divulgar os nossos produtos, essa foi a segunda vez que participamos da expogranito, mas a gente quer expor em outras feiras, levar nossos produtos para outras cidades” Diz Maria Edileusa Bento, presidenta da associação

As mulheres se organizam, através da associação comunitária e do grupo de mulheres formado na comunidade.

 

Foto: Adevania Coelho

As mulheres do grupo recebem assessoria técnica da Ong Caatinga, através da chamada de ATER (Assistência técnica em extensão rural), do projeto sertão leiteiro, foi através dessa assessoria que as mesmas participaram de oficinas e inovaram a produção, com margarina caseira, iogurte, requeijão, creme de leite, leite condensado, achocolatado, sequilhos, bolos entre outros.

“Esses produtos, nós só conseguimos aprender a fazer por que a técnica trabalhou novos sabores do leite, que nós ainda não tínhamos despertado para fazer e aprendemos. Outra coisa que nós ajuda bastante a produzir são as cisternas, pois agora a gente consegue plantar verduras, frutas, plantas medicinais e ornamentais, a gente tem muitas coisas para fazer em casa e ter água perto nos ajuda muito” Afirma Edileusa.

Para a técnica da comunidade Adevânia Coelho, é surpreendente como as mulheres da comunidade tem um grande potencial, se tornando cada vez mais autônomas. “Acho muito interessante a iniciativa e a resistência das mulheres do sitio Palácio. ” Conta Adevania, ao falar da forma de organização e produção das mulheres. Vale lembrar que o grupo de mulheres trabalha, em parceria com a associação comunitária, fortalecendo a luta das famílias agricultoras, o que mostra que quando as mulheres avançam, nenhum homem retrocede.


21/06/2017

“Um mundo com um olhar feminista é um mundo mais igualitário”

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por Assessoria de Comunicação do Caatinga

Neste mês de junho, a equipe do Caatinga participou de uma formação sobre divisão justa do trabalho. Vera Guedes, educadora do Centro Nordestino de Medicina Popular e integrante da coordenação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), facilitou o momento de reflexão. Aproveitamos a oportunidade para conversar com ela. Na entrevista, Vera Guedes reflete sobre como é possível construir relações mais igualitárias, a partir da divisão justa do trabalho, nas relações familiares e de trabalho, ela fala também sobre o contexto político que o Brasil vive atualmente.

Caatinga – O que seria um mundo com um olhar feminista?

Vera Guedes – Eu acredito que um mundo feminista não é é um mundo de privilégios para as mulheres, é um mundo de justiça. E nesse mundo de justiça quando as coisas são divididas igualmente claro que todo mundo fica feliz. Você imagina se uma mulher pudesse dividir suas tarefas mais justamente como seu companheiro ou sua companheira, ela não teria mais tempo para se dedicar a essa relação? Ela não seria uma pessoa mais feliz? Ou se fosse o contrário, se o homem dividisse mais  as tarefas com a sua companheira – eu estou colocando a tarefa doméstica porque é uma coisa que marca muito a desigualdade – também ele teria mais tempo para ficar com sua companheira. Então eu acredito que um mundo com um olhar feminista é um mundo mais igualitário.

Caatinga – Como as organizações podem incorporar a questão da divisão justa do trabalho para levar adiante na sua proposta de ação?

Vera Guedes – Uma das coisas que pode ajudar no pautar a divisão justa do trabalho é essa tentativa que as organizações têm feito, que é fazer um planejamento coletivo da responsabilidades. Não estou dizendo que tarefa diferença não possa ser uma divisão justa, não é que eu tenho que fazer a mesma tarefa que a outra pessoa, mas eu tenho que ter a mesma hora de trabalho e a mesma hora de lazer, igualmente. E com essa hora eu posso fazer o que eu queira, eu possa decidir. E para mim, pensar a divisão justa do trabalho é também as mulheres pensarem os projetos, é também escrever o projeto, mas é também executá-lo na ponta. Sempre fico observando quando a gente está em encontros, em oficinas e seminários e montam-se grupos tem a segmentação das atividades, e vemos que a grande maioria das mulheres vai produzir os cartazes. Esse é um exemplo, que as pessoas acham que é  iminentemente da mulher fazer os cartaz e não é. Pensar a  divisão justa do trabalho é também pensar as responsabilidades. E se a gente pega o campo das organizações e dos movimentos sociais isso também ainda está para construir.

Caatinga – Os movimentos de mulheres sempre estiveram na construção da luta pelos processos democráticos. Agora temos vivido um momento mais difícil no Brasil, como você enxerga esse momento?

Vera Guedes – Um momento difícil. Momento que a cada dia a gente tem que repensar nossa forma de luta e  se reestruturar para enfrentar. Eu particularmente, que estou no movimento há muito tempo, nunca imaginei viver um movimento tão conturbado quanto esse. De perda de direitos, e isso é difícil porque é um fator que desmobiliza. É um momento que a maioria da população não acredita na justiça, então você não faz a luta pela justiça porque você não acredita nela. Então é um momento de grandes enfrentamentos. O movimento de mulheres e o movimento feminista tem feito grandes enfrentamentos. Mas a gente reconhece que mesmo antes do golpe a gente já estava num momento difícil para os movimentos sociais, pela própria composição do Congresso. Mas a gente tinha uma gestora que olhava mais para a maioria da população, estava mais aberta para o diálogo com os movimentos. O que com o golpe caiu por terra. Com esse governo que está aí não é possível negociar.  Existe uma retração de recursos e com isso é mais difícil mobilizar as pessoas, o centro do poder está longe da maioria das capitais. Tudo isso dificulta muito, mas eu acredito que a estratégia é resistir e se juntar com outros movimentos, fazer frentes de luta e ir para rua. Porque só assim que a gente pode reverter esse quadro. Não tem outro jeito, não dá para a gente ficar dentro de casa ou dentro do nosso escritório sem pensar tem tudo que tem a ver com o contexto.

Foto: charlesaraujo.com.br


18/05/2017

Mulheres Doulas realiza formações no sertão do Araripe (PE)

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                                                                 Por  Assessoria de Comunicação Centro Nordestino de Medicina Popular – CNMP

Três formações do projeto “Mulheres Doulas Articulando Vidas” acontecerão nestes dias nos municípios de Trindade e Ouricuri, sertão do Araripe.

Em Trindade, durante hoje e amanhã, serão realizadas duas formações: em Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, e de Doulas, no salão Paroquial da cidade. Em Ouricuri, na sede do CEREST, acontecerá durante quinta e sexta-feira o segundo módulo da formação em “Assistência humanizada ao parto e pós parto”, ministrada pela enfermeira obstetra Edilazy Mariz. Do curso participarão profissionais da saúde do município. As formações são uma das estratégias do projeto Mulheres Doulas Articulando Vidas, que o Centro Nordestino de Medicina Popular (CNMP) desenvolve com apoio financeiro da União Europeia. Outras atividades desenvolvidas são ações culturais públicas, ações de incidência como audiências públicas sobre as temáticas do projeto e visitas às maternidades. Desta forma, o CNMP se propõe contribuir para a redução da morbidade e mortalidade materna em seis municípios do sertão de Pernambuco e três da Região Metropolitana do Rio Grande do Norte.


28/04/2017

Ouricuri adere a Greve Geral

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Na manhã, desta sexta feira, as principais ruas de Ouricuri, no sertão do Araripe Pernambucano, foram tomadas por centenas de manifestantes, que aderiram a agenda de luta nacional, Greve Geral, em todo o Brasil, contra as reformas da previdência e reforma Trabalhista.

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O Sindicato dos Servidores públicos de Ouricuri (SINDSEP), Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ouricuri, Federação dos Trabalhadores de Pernambuco (FETAPE), junto com Fórum de Mulheres do Araripe, Grupo de Mulheres Jurema,Sindicato dos Servidores da Saúde (SINDSAÚDE), Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência ( SIDSPREV), Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEP), Movimento Sem Terra (MST),  Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), e organizações de Base e de Apoio a agricultura familiar, além de Organizações dos municípios de Santa Cruz e Trindade realizaram, neste dia 28 de Abril, um ato de rua, repudiando as Reformas da Previdência e trabalhista, que visam tirar direitos de trabalhadores/as.

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O ato teve início na Praça, Padre Francisco Pedro da Silva, Praça da prefeitura, e seguiu pela feira livre de Ouricuri, até o semáforo central da cidade. O trânsito parou durante 20 minutos,  várias pessoas fizeram falas, repudiando as reformas, que prejudicará trabalhadores/as, atingindo mais fortemente, os que possuem menores condições financeiras, mulheres, jovens, comunidades tradicionais e agricultores/as familiares serão bastante afetados/as. Os manifestantes seguiram em caminhada até agência da Previdência social, do município, onde o ato foi encerrado.

Para Analberga Lino, do SINDSEP, esse foi um movimento muito importante para toda a classe trabalhadora.            “ Precisamos cada vez mais, ir as ruas dizer não a esse desmonte dos direitos, que atingirá fortemente a classe trabalhadora” Afirmou a professora.

A avaliação por parte da organização do evento, é muito positiva, estima -se que participaram mais de 3.000 pessoas, o que mostra forte adesão da população, ao movimento,  envolvendo diversos seguimentos: Saúde, educação, agricultura familiar, sindicalistas, movimentos sociais, movimentos de mulheres, jovens urbanos e rurais.

Ainda nesta manhã, no sertão do Araripe, aconteceram atos de ruas, nos municípios de Bodocó, com estimativa de participação de 2.000 pessoas, e nos municípios de Exu e Araripina, a tarde será realizado, em Santa Filomena . Além de vários outros municípios do Brasil.

 


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